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12/09/2001
-
09h45
LOUIS UCHITELLE
do New York Times
A tragédia cancelou as previsões sobre a economia americana. E o quer que aconteça com os EUA afetará, inevitavelmente, as perspectivas econômicas mundiais.
Até ontem, o futuro da economia dependia de demissões que poderiam inibir os gastos dos consumidores, de investimentos empresariais que poderiam ser retomados, de construções que poderiam ser iniciadas.
Agora, o futuro depende de como o público reagirá ao ataque terrorista.
A questão depende de determinar se os americanos pararão de gastar até que saibam quem foi responsável pelos ataques, e da probabilidade de novos ataques.
No passado, acontecimentos cataclísmicos afetaram a economia. A crise no golfo Pérsico ajudou a causar a recessão de 90/91, e Pearl Harbor gerou um consenso quanto a gastar imensas quantias na derrota do Eixo, o que resultou em um boom econômico. O mais recente cataclismo é diferente: ninguém sabe ainda quem é o inimigo ou o que o grupo ou grupos envolvidos podem fazer a seguir.
Isso altera o debate econômico. A preservação do superávit orçamentário provavelmente perderá importância, disseram diversos economistas, à medida que o governo conceda prioridade ao reparo dos danos e a um reforço da segurança. Substituir aquilo que foi perdido no World Trade Center provavelmente custará bilhões de dólares não apenas em edifícios novos, mas na reabertura e substituição das numerosas empresas cujo pessoal foi ferido ou morto, e cujos registros terminaram destruídos.
Ainda que a reconstrução do Pentágono e dos edifícios de escritórios no sul de Manhattan possa estimular as economias de Washington e de Nova York, as quantias gastas -alguns bilhões- teriam relativamente pouco efeito sobre uma economia nacional que produz US$ 10 trilhões ao ano.
Para além dos danos físicos, grandes segmentos da economia provavelmente ficarão congelados por alguns dias ou uma semana. Entre os que enfrentam os maiores prejuízos temos as empresas de Wall Street, porque os mercados financeiros estão fechados. Além disso, as linhas aéreas terão de arcar com dezenas de milhões de dólares em reembolsos a passageiros que não puderam viajar porque os aviões estavam proibidos de voar. A FedEx e a United Parcel Service também tiveram seus serviços aéreos paralisados ontem.
James Glassman, economista-chefe do J.P. Morgan para os EUA, e alguns poucos economistas demonstraram otimismo. "Isso fará com que os Estados Unidos, e o mundo livre, se sintam desafiados", disse Glassman.
Foi essa certamente a reação ao ataque japonês a Pearl Harbor, no domingo, 7 de dezembro de 1941. Os preços das ações caíram muito, no começo, mas se recuperaram à medida que o país se mobilizava. Desta vez, no entanto, é improvável que a recuperação seja tão fácil, diz Glassman. "É provável que o choque e o luto levem semanas, e isso significa mercados instáveis e menos consumo".
A economia dos Estados Unidos vem perdendo força há um ano. O Produto Interno Bruto (PIB) mal cresceu no segundo trimestre, e nos últimos dias os analistas vêm reduzindo suas previsões para o crescimento econômico do terceiro trimestre a uma taxa anualizada de menos de 1%.
Antes da tragédia de ontem, esperava-se que os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) reduzissem as taxas de juros, em sua reunião de outubro, pela oitava vez neste ano. Agora, talvez acelerem o corte.
Os juros mais baixos têm ajudado a manter os gastos dos consumidores, mas o novo clima e psicologia quase certamente terão efeito crucial, diz Humphrey Taylor, chairman da Louis Harris & Associates, uma empresa de pesquisa de opinião.
"Não sei se as pessoas pararão de gastar", disse ele. "Minha mulher me disse que o supermercado está uma bagunça, pessoas comprando produtos para estocar porque acham que o mundo vai acabar. Elas podem decidir que a economia está fraca demais e que é melhor esperar uma melhora. Ou podem se unir em torno da bandeira, trabalhar juntas e sair do processo mais fortes e ligadas."
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Terror toma lugar do medo do desemprego
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do New York Times
A tragédia cancelou as previsões sobre a economia americana. E o quer que aconteça com os EUA afetará, inevitavelmente, as perspectivas econômicas mundiais.
Até ontem, o futuro da economia dependia de demissões que poderiam inibir os gastos dos consumidores, de investimentos empresariais que poderiam ser retomados, de construções que poderiam ser iniciadas.
Agora, o futuro depende de como o público reagirá ao ataque terrorista.
A questão depende de determinar se os americanos pararão de gastar até que saibam quem foi responsável pelos ataques, e da probabilidade de novos ataques.
No passado, acontecimentos cataclísmicos afetaram a economia. A crise no golfo Pérsico ajudou a causar a recessão de 90/91, e Pearl Harbor gerou um consenso quanto a gastar imensas quantias na derrota do Eixo, o que resultou em um boom econômico. O mais recente cataclismo é diferente: ninguém sabe ainda quem é o inimigo ou o que o grupo ou grupos envolvidos podem fazer a seguir.
Isso altera o debate econômico. A preservação do superávit orçamentário provavelmente perderá importância, disseram diversos economistas, à medida que o governo conceda prioridade ao reparo dos danos e a um reforço da segurança. Substituir aquilo que foi perdido no World Trade Center provavelmente custará bilhões de dólares não apenas em edifícios novos, mas na reabertura e substituição das numerosas empresas cujo pessoal foi ferido ou morto, e cujos registros terminaram destruídos.
Ainda que a reconstrução do Pentágono e dos edifícios de escritórios no sul de Manhattan possa estimular as economias de Washington e de Nova York, as quantias gastas -alguns bilhões- teriam relativamente pouco efeito sobre uma economia nacional que produz US$ 10 trilhões ao ano.
Para além dos danos físicos, grandes segmentos da economia provavelmente ficarão congelados por alguns dias ou uma semana. Entre os que enfrentam os maiores prejuízos temos as empresas de Wall Street, porque os mercados financeiros estão fechados. Além disso, as linhas aéreas terão de arcar com dezenas de milhões de dólares em reembolsos a passageiros que não puderam viajar porque os aviões estavam proibidos de voar. A FedEx e a United Parcel Service também tiveram seus serviços aéreos paralisados ontem.
James Glassman, economista-chefe do J.P. Morgan para os EUA, e alguns poucos economistas demonstraram otimismo. "Isso fará com que os Estados Unidos, e o mundo livre, se sintam desafiados", disse Glassman.
Foi essa certamente a reação ao ataque japonês a Pearl Harbor, no domingo, 7 de dezembro de 1941. Os preços das ações caíram muito, no começo, mas se recuperaram à medida que o país se mobilizava. Desta vez, no entanto, é improvável que a recuperação seja tão fácil, diz Glassman. "É provável que o choque e o luto levem semanas, e isso significa mercados instáveis e menos consumo".
A economia dos Estados Unidos vem perdendo força há um ano. O Produto Interno Bruto (PIB) mal cresceu no segundo trimestre, e nos últimos dias os analistas vêm reduzindo suas previsões para o crescimento econômico do terceiro trimestre a uma taxa anualizada de menos de 1%.
Antes da tragédia de ontem, esperava-se que os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) reduzissem as taxas de juros, em sua reunião de outubro, pela oitava vez neste ano. Agora, talvez acelerem o corte.
Os juros mais baixos têm ajudado a manter os gastos dos consumidores, mas o novo clima e psicologia quase certamente terão efeito crucial, diz Humphrey Taylor, chairman da Louis Harris & Associates, uma empresa de pesquisa de opinião.
"Não sei se as pessoas pararão de gastar", disse ele. "Minha mulher me disse que o supermercado está uma bagunça, pessoas comprando produtos para estocar porque acham que o mundo vai acabar. Elas podem decidir que a economia está fraca demais e que é melhor esperar uma melhora. Ou podem se unir em torno da bandeira, trabalhar juntas e sair do processo mais fortes e ligadas."
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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