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12/09/2001
-
09h53
da Folha de S.Paulo
Os graves atentados terroristas que ontem atingiram os Estados Unidos lançam ainda mais incertezas sobre o cenário internacional, o que deve atingir a já combalida economia mundial.
A mera possibilidade de ocorrer um conflito armado seria por si só um foco de incertezas, que tenderia a atingir negativamente as decisões de investimentos. Mas o provável envolvimento de terroristas do Oriente Médio e as possíveis retaliações dos EUA tornam os riscos para economia ainda mais significativos.
Em relação ao petróleo, por exemplo, é preciso lembrar que a Opep só se tornou um cartel coeso a ponto de provocar duas grandes crises do petróleo nos anos 70, após a Guerra de Yom Kippur (73) entre Israel e países árabes. Assim, não é despropositado imaginar que retaliações norte-americanas contra grupos terroristas poderão causar reações semelhantes.
Os atentados lançam também uma desconfiança política sobre os EUA, que tende a enfraquecer o dólar. Nos últimos anos, os elevados déficits comerciais norte-americano ajudaram a sustentar a demanda mundial, o que seria prejudicado por uma desvalorização expressiva do dólar.
Ainda que as perspectivas de médio prazo para a economia mundial não sejam catastróficas e não se imagine que haverá uma crise prolongada, não são desprezíveis os efeitos perversos que os atentados de ontem poderão ter sobre este ano e 2002.
A incerteza poderá ser o elemento que faltava para colocar os EUA em uma recessão. Desde o "crash" de 1987, o mercado não tinha um dia tão negativo como ontem. Esse quadro poderá piorar caso a alta incerteza faça com que investidores migrem das Bolsas, buscando segurança.
Além disso, no último trimestre, o PIB dos EUA teve o menor crescimento em oito anos (0,2%), que só não foi pior porque os gastos de consumo, que representam dois terços da economia do país, mantiveram-se elevados. Esses altos gastos não se manterão, porém, se a confiança do consumidor vier a desabar em razão do risco de "crash" das Bolsas e de ocorrerem demissões maciças.
Impactos econômicos não chocam como as imagens de ontem, mas não são, obviamente, desprezíveis.
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Editorial: Economia sob ataque
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Os graves atentados terroristas que ontem atingiram os Estados Unidos lançam ainda mais incertezas sobre o cenário internacional, o que deve atingir a já combalida economia mundial.
A mera possibilidade de ocorrer um conflito armado seria por si só um foco de incertezas, que tenderia a atingir negativamente as decisões de investimentos. Mas o provável envolvimento de terroristas do Oriente Médio e as possíveis retaliações dos EUA tornam os riscos para economia ainda mais significativos.
Em relação ao petróleo, por exemplo, é preciso lembrar que a Opep só se tornou um cartel coeso a ponto de provocar duas grandes crises do petróleo nos anos 70, após a Guerra de Yom Kippur (73) entre Israel e países árabes. Assim, não é despropositado imaginar que retaliações norte-americanas contra grupos terroristas poderão causar reações semelhantes.
Os atentados lançam também uma desconfiança política sobre os EUA, que tende a enfraquecer o dólar. Nos últimos anos, os elevados déficits comerciais norte-americano ajudaram a sustentar a demanda mundial, o que seria prejudicado por uma desvalorização expressiva do dólar.
Ainda que as perspectivas de médio prazo para a economia mundial não sejam catastróficas e não se imagine que haverá uma crise prolongada, não são desprezíveis os efeitos perversos que os atentados de ontem poderão ter sobre este ano e 2002.
A incerteza poderá ser o elemento que faltava para colocar os EUA em uma recessão. Desde o "crash" de 1987, o mercado não tinha um dia tão negativo como ontem. Esse quadro poderá piorar caso a alta incerteza faça com que investidores migrem das Bolsas, buscando segurança.
Além disso, no último trimestre, o PIB dos EUA teve o menor crescimento em oito anos (0,2%), que só não foi pior porque os gastos de consumo, que representam dois terços da economia do país, mantiveram-se elevados. Esses altos gastos não se manterão, porém, se a confiança do consumidor vier a desabar em razão do risco de "crash" das Bolsas e de ocorrerem demissões maciças.
Impactos econômicos não chocam como as imagens de ontem, mas não são, obviamente, desprezíveis.
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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