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13/09/2001 - 09h35

Análise: O novo dia de infâmia

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WILLIAM SAFIRE
do "THE NEW YORK TIMES"

Em 11 de setembro de 2001 -outro dia que viverá na infâmia- os Estados Unidos sofreram baixas de combate em seu território em escala não experimentada desde a sangrenta batalha de Antietam [em 17 de setembro de 1862, matou 22 mil homens em um dia].

As questões imediatas: que organização terrorista bem financiada e operando sob a proteção secreta de que país massacrou tantos norte-americanos?

Dois fatos oferecem pistas cruciais: 1) Porque nenhum piloto feito refém conduziria seu avião a um choque deliberado contra um edifício, pelo menos três dos assassinos sabiam operar um jato comercial de grande porte. E 2) Cada um dos pilotos assassinos foi doutrinado com imenso fanatismo, não só para encontrar o caminho do paraíso em um assassinato de imensas proporções mas também para aceitar o suicídio.

Essa combinação de capacidades relativamente raras reduz o número de suspeitos. Dois anos atrás, a voz de um piloto egípcio foi gravada murmurando uma oração, minutos antes que ele lançasse seu Boeing-767 no Oceano Atlântico. O Egito ainda nega o fato e duvida do resultado das investigações norte-americanas.

Quem recruta pilotos comerciais e realiza lavagens cerebrais para que passem a sonhar com a glória eterna? Por outro lado, quem treina fanáticos religiosos para pilotar aviões de grande porte? O mundo dos pilotos é finito, e sabemos onde eles são treinados.

Por que, mesmo com US$ 30 bilhões ao ano, a Agência Central de Inteligência (CIA), o Birô Federal de Investigações (FBI) e a Agência de Segurança Nacional (NSA) não puderam impedir esse ataque?
A segurança das linhas aéreas nos aeroportos de Washington e Boston se deixou enganar, mas será que não houve comunicação entre os conspiradores que pudéssemos detectar?

Será que os estiletes dos sequestradores enganaram a segurança das linhas aéreas? Agora, nossos aviões incluirão guardas armados como passageiros, e os nossos espiões de alta tecnologia terão de infiltrar agentes em grupos inimigos e de subornar ou chantagear contatos adversários.

Quando houver informação sobre os centros e recursos dessa rede terrorista, como retaliaremos?

Cinco anos de investigações, julgamentos e apelos, como após o primeiro atentado ao World Trade Center, não dissuadirão ninguém de tentar repetir a dose. Lançar uns mísseis contra possíveis locais de treinamento, como fez o presidente Clinton, de maneira precipitada e ineficiente, é só um vil simulacro de reação.

Contra-atacar com base em informações inadequadas é errado, mas, quando o terror declara guerra, esperar por provas absolutas é perigoso. Quando pudermos determinar onde estão as bases e campos de nossos agressores, devemos pulverizá-los, minimizando - mas sem deixar de aceitar - o risco de danos colaterais, e agir para desestabilizar o governo do país que dê guarida aos terroristas. O quinto lado do Pentágono, quando for reconstruído, deve incluir um Departamento de Ações Preventivas.

Será que nossa liderança nacional respondeu bem nas primeiras horas da crise, quando ninguém sabia o que aconteceria depois da devastação em Nova York e do ataque contra Washington?

Deter o transporte aéreo e ferroviário era necessário e prudente, e bloquear o acesso aos monumentos nacionais e escritórios do governo federal era prudente. O governador e o prefeito de Nova York fizeram seu dever ficando em seus postos e reassegurando seus concidadãos ao vivo, na TV, como o rei George 5º durante os ataques aéreos alemães a Londres.

Mas o Serviço Secreto assumiu controle completo no que tange ao presidente Bush, que estava na Flórida, e o fez percorrer o país, em segredo, em uma demonstração de nervosismo. Mesmo nos primeiros e horripilantes momentos, não era possível interpretar os ataques como agressão nuclear de uma potência estrangeira. Bush deveria ter insistido em voltar imediatamente à região de Washington, falando ao povo ao vivo, pela TV, de algum lugar seguro perto da Casa Branca.

Com o presidente ausente da cidade, o vice, Dick Cheney, se encarregou de controlar a crise, coordenando as operações. Não foi preciso uma atitude de afirmação de comando à maneira do ex-secretário de Estado Alexander Haig, mas um senso inicial e mais visível de firmeza ajudaria.

Apesar da evacuação do Executivo e do Congresso, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, visitou os feridos do Pentágono, e a assessora de segurança nacional, Condoleezza Rice, não deixou seu posto. O que acontece agora?

Além dos funerais, do luto e da reforma geral dos serviços de inteligência, será preciso chegar ao sóbrio reconhecimento de que os Estados Unidos estão em guerra e de que, dessa vez, nosso país é um dos campos de batalha.

O próximo ataque provavelmente não virá de um jato sequestrado, algo para que, tardiamente, nos prepararemos. O mais provável é que venha de um míssil nuclear adquirido por terroristas ou de um barril de germes mortíferos lançado em reservatório de águas.

E isso acarreta a mais pertinente das questões: o que faremos para proteger nossos céus, desenvolver vacinas e agentes imunológicos e contra-atacar o inimigo?


Tradução Paulo Migliaccio



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