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13/09/2001 - 09h38

Economia deve esfriar ainda mais

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RICARDO GRINBAUM
da Folha de S.Paulo

O tamanho do estrago ainda não está muito claro, mas os economistas não têm dúvidas. Os ataques terroristas aos EUA já levam algumas das mais importantes instituições internacionais a rever suas projeções para o desempenho da economia mundial.

A destruição das torres do World Trade Center e o ataque ao Pentágono mudaram, por exemplo, o humor de Ignazio Visco, economista-chefe da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

A OCDE é uma espécie de clube dos países ricos. Hoje, a organização projeta crescimento da economia americana de 1,5% em 2001 e de 3,0% em 2002. Para a economia mundial, a previsão é de crescimento de 1,7% em 2001.

Essa conta vai mudar. A OCDE já ia levar em consideração os dados mais recentes - e desanimadores - da economia americana. Agora, a situação ficou pior.

"Ainda é difícil ter uma avaliação precisa do efeito dos ataques sobre a economia americana e mundial, mas é certo que vai afetar o crescimento", disse à Folha Ignazio Visco.

Os ataques terão vários efeitos sobre a economia. Num primeiro momento, devem cair os negócios com turismo, viagens aéreas e o desempenho dos bancos que tinham escritórios no World Trade Center.

Esse efeito seria rápido, mas limitado. A maior preocupação de Visco é com a alta do preço do petróleo - que poderia trazer inflação e inibir o crescimento dos países -, e com a queda na confiança dos consumidores.

"O aumento do consumo era uma peça chave para a recuperação da economia americana esse ano. Com os ataques terroristas, as pessoas e as empresas ficam mais inseguras. Por isso, a recuperação americana deverá demorar mais tempo", disse o economista.

Steven Dunaway, economista do FMI responsável pelo acompanhamento dos Estados Unidos no FMI (Fundo Monetário Internacional), também acha que os ataques terroristas podem adiar a recuperação americana.

"A confiança dos consumidores e dos empresários deve cair. Temos um grande risco que o número de demissões aumente e afete a recuperação da economia", disse Dunaway.

Para Dunaway, a economia americana está num momento delicado de recuperação. Os efeitos dos ataques sobre as viagens aéreas e o turismo podem afetar a confiança em toda a economia.

O FMI projetava, no início do ano, a recuperação americana para o segundo semestre de 2001. Mas alterou suas projeções recentemente para uma recuperação a partir do último trimestre. Agora, acompanha os efeitos do ato terrorista para checar a necessidade de nova revisão.

O sentimento de que os atos terroristas podem adiar a recuperação da economia americana é compartilhado por economistas da iniciativa privada, como Ulrich Schroder, economista-chefe do Deutsche Bank, em Frankfurt.

"Temos uma sombra sobre a confiança do consumidor americano, que deixa o cenário mais pessimista para todo o mundo", disse Schroder.

O Deutsche Bank previa crescimento de 1,9% para a economia mundial e 1,4% para os países industrializados em 2001. "Esse número deve cair", disse Schroder.

O maior impacto, porém, deverá ocorrer no próximo ano. O Deutsche projetava crescimento mundial de 2,7% em 2002, mas também deve reduzir a previsão para 2,0% ou 2,25%.

Os investimentos em países como o Brasil podem ser afetados porque os investidores terão maior aversão ao risco. Essa tendência pode ser compensada pela queda de juros pelos países ricos.


Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
 

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