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13/09/2001
-
09h40
do "FINANCIAL TIMES"
O ataque terrorista da terça-feira foi uma agressão contra o modo de vida ocidental e seu objetivo era abalar a confiança do povo dos Estados Unidos e, assim, a do mundo ocidental. Não devemos permitir que isso aconteça. E essa verdade vale tanto para a economia quanto para a política. As autoridades monetárias mundiais, acima de tudo o Federal Reserve, precisam agir com presteza em resposta à agressão.
Mesmo antes do ataque, a economia mundial estava à beira de uma recessão generalizada. A economia dos Estados Unidos, que propeliu o mundo nos cinco anos passados, mal cresceu neste ano. O Japão já está em recessão. No segundo trimestre, a economia mundial como um todo talvez tenha até declinado.
Uma profunda recessão global, com todas as suas terríveis consequências para as pessoas nas economias emergentes, é exatamente a espécie de dano que os terroristas gostariam de infligir. Normalmente, um impacto como esse não seria possível.
A agressão covarde da terça-feira, por mais dispendiosa que tenha sido em termos de vidas perdidas, é trivial em termos econômicos. Mas, em um momento delicado como o que vivemos, a confiança pode ser desproporcionalmente prejudicada.
A confiança já está sob pressão. Depois do estouro da bolha do setor de tecnologia, o investimento e a produção industrial dos Estados Unidos vêm caindo acentuadamente. O desemprego está começando a subir.
As Bolsas de Valores em toda parte estão enfrentando quedas profundas. O nível de poupança pessoal nos Estados Unidos é negativo há algum tempo e o déficit financeiro do setor privado no país como um todo chegou a um patamar sem precedentes históricos.
Em momentos como esse, uma reacomodação se torna muito provável.
Os argumentos em favor de novas reduções das taxas de juros por parte do Federal Reserve e do Banco Central Europeu eram fortes antes do ataque.
De maneira semelhante, o Banco do Japão precisa empreender uma expansão monetária muito mais dramática do que a vinha contemplando. Reduções maiores nas taxas de juros de curto prazo também eram necessárias no Reino Unido.
Argumentos que já eram bons antes do ataque se tornaram esmagadores depois. Os bancos centrais vêm injetando considerável liquidez nos mercados. E deveriam redobrar esses esforços.
Ação coordenada
Um corte coordenado nas taxas de juros, nem que apenas temporário, demonstraria que eles reconhecem a fragilidade atual da economia mundial e estão reparados para fazer alguma coisa a respeito.
Se ação coordenada não puder ser realizada, o Federal Reserve deveria agir por conta própria.
Os bancos centrais têm importante papel a desempenhar para impedir que essa terrível calamidade deflagre uma recessão mundial. Eles podem fazê-lo demonstrando ao público sua determinação de garantir que a vida continua. Precisam agir agora.
Tradução de Paulo Migliacci
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Argumentos bons antes do ataque ficam melhores depois
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O ataque terrorista da terça-feira foi uma agressão contra o modo de vida ocidental e seu objetivo era abalar a confiança do povo dos Estados Unidos e, assim, a do mundo ocidental. Não devemos permitir que isso aconteça. E essa verdade vale tanto para a economia quanto para a política. As autoridades monetárias mundiais, acima de tudo o Federal Reserve, precisam agir com presteza em resposta à agressão.
Mesmo antes do ataque, a economia mundial estava à beira de uma recessão generalizada. A economia dos Estados Unidos, que propeliu o mundo nos cinco anos passados, mal cresceu neste ano. O Japão já está em recessão. No segundo trimestre, a economia mundial como um todo talvez tenha até declinado.
Uma profunda recessão global, com todas as suas terríveis consequências para as pessoas nas economias emergentes, é exatamente a espécie de dano que os terroristas gostariam de infligir. Normalmente, um impacto como esse não seria possível.
A agressão covarde da terça-feira, por mais dispendiosa que tenha sido em termos de vidas perdidas, é trivial em termos econômicos. Mas, em um momento delicado como o que vivemos, a confiança pode ser desproporcionalmente prejudicada.
A confiança já está sob pressão. Depois do estouro da bolha do setor de tecnologia, o investimento e a produção industrial dos Estados Unidos vêm caindo acentuadamente. O desemprego está começando a subir.
As Bolsas de Valores em toda parte estão enfrentando quedas profundas. O nível de poupança pessoal nos Estados Unidos é negativo há algum tempo e o déficit financeiro do setor privado no país como um todo chegou a um patamar sem precedentes históricos.
Em momentos como esse, uma reacomodação se torna muito provável.
Os argumentos em favor de novas reduções das taxas de juros por parte do Federal Reserve e do Banco Central Europeu eram fortes antes do ataque.
De maneira semelhante, o Banco do Japão precisa empreender uma expansão monetária muito mais dramática do que a vinha contemplando. Reduções maiores nas taxas de juros de curto prazo também eram necessárias no Reino Unido.
Argumentos que já eram bons antes do ataque se tornaram esmagadores depois. Os bancos centrais vêm injetando considerável liquidez nos mercados. E deveriam redobrar esses esforços.
Ação coordenada
Um corte coordenado nas taxas de juros, nem que apenas temporário, demonstraria que eles reconhecem a fragilidade atual da economia mundial e estão reparados para fazer alguma coisa a respeito.
Se ação coordenada não puder ser realizada, o Federal Reserve deveria agir por conta própria.
Os bancos centrais têm importante papel a desempenhar para impedir que essa terrível calamidade deflagre uma recessão mundial. Eles podem fazê-lo demonstrando ao público sua determinação de garantir que a vida continua. Precisam agir agora.
Tradução de Paulo Migliacci
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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