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13/09/2001
-
09h44
do "FINANCIAL TIMES"
A destruição do World Trade Center tem um enorme poder simbólico e um custo humano terrível. Mas, desde que as autoridades adotem as políticas apropriadas, os ataques não deverão ter um impacto duradouro sobre os negócios e as finanças internacionais.
O sistema capitalista descentralizado é extraordinariamente resistente a danos físicos. Campanhas de bombardeios constantes, como as que sofreu a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, raramente derrubam uma economia.
A desobediência civil, como os bloqueios na Europa no ano passado contra o aumento dos impostos sobre combustíveis, podem deter muito mais rapidamente uma economia moderna. Mas isso exige a participação aberta de muitos, e não dos ataques secretos de alguns.
A mudança para uma economia informatizada aumenta a resistência aos danos. Linhas de produção especializadas ou usinas de aço não podem ser facilmente substituídas quando destruídas.
Mas a ferramenta do trabalhador do conhecimento, o computador pessoal, pode ser encontrada em qualquer lugar e imediatamente posta a trabalhar. As empresas globais, especialmente nos serviços financeiros, cada vez mais se organizam ao redor de três centros geográficos Europa, Ásia, as Américas, cada um deles capaz de controlar os negócios em todo o mundo.
O armazenamento de dados duplicados, seguros e em outros locais, reunindo todas as informações corporativas essenciais, permite que uma empresa sobreviva a danos físicos a sua matriz.
É claro que uma proibição duradoura dos vôos para os Estados Unidos, caso ocorresse, inevitavelmente reduziria o ritmo dos negócios, prejudicando especialmente o transporte de carga.
Firmas menores com sede no World Trade Center acharão difícil se recuperar dos danos, especialmente se membros chaves de suas equipes estiverem entre as vítimas. E a dor comunitária poderá deprimir a efervescência natural do mercado.
Existe também o risco de que a abertura dos mercados americanos, quando ocorrer, possa revelar desequilíbrios inesperados entre as instituições financeiras. Uma forte mudança nas taxas de juros relativas, por exemplo, poderia desencadear fraqueza num fundo hedge superexposto ao capital especulativo - do mesmo tipo que o Long Term Capital Management sofreu na época da crise econômica russa de 1998.
A comunidade financeira e as autoridades parecem totalmente conscientes desse risco, porém, e têm tomado medidas para minimizá-lo, com todas as perspectivas de sucesso.
Portanto, com equilíbrio, as empresas e as finanças provavelmente se recuperarão surpreendentemente depressa dos terríveis acontecimentos desta terça-feira. Olhando para uma Wall Street silenciosa e uma ampla área deserta no centro de Manhattan, isso parece difícil de acreditar agora.
Mas uma recuperação rápida será o sinal mais claro possível de que a comunidade econômica americana não pode ser conquistada pelo terror.
Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Ataques físicos não são capazes de minar o capitalismo
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A destruição do World Trade Center tem um enorme poder simbólico e um custo humano terrível. Mas, desde que as autoridades adotem as políticas apropriadas, os ataques não deverão ter um impacto duradouro sobre os negócios e as finanças internacionais.
O sistema capitalista descentralizado é extraordinariamente resistente a danos físicos. Campanhas de bombardeios constantes, como as que sofreu a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, raramente derrubam uma economia.
A desobediência civil, como os bloqueios na Europa no ano passado contra o aumento dos impostos sobre combustíveis, podem deter muito mais rapidamente uma economia moderna. Mas isso exige a participação aberta de muitos, e não dos ataques secretos de alguns.
A mudança para uma economia informatizada aumenta a resistência aos danos. Linhas de produção especializadas ou usinas de aço não podem ser facilmente substituídas quando destruídas.
Mas a ferramenta do trabalhador do conhecimento, o computador pessoal, pode ser encontrada em qualquer lugar e imediatamente posta a trabalhar. As empresas globais, especialmente nos serviços financeiros, cada vez mais se organizam ao redor de três centros geográficos Europa, Ásia, as Américas, cada um deles capaz de controlar os negócios em todo o mundo.
O armazenamento de dados duplicados, seguros e em outros locais, reunindo todas as informações corporativas essenciais, permite que uma empresa sobreviva a danos físicos a sua matriz.
É claro que uma proibição duradoura dos vôos para os Estados Unidos, caso ocorresse, inevitavelmente reduziria o ritmo dos negócios, prejudicando especialmente o transporte de carga.
Firmas menores com sede no World Trade Center acharão difícil se recuperar dos danos, especialmente se membros chaves de suas equipes estiverem entre as vítimas. E a dor comunitária poderá deprimir a efervescência natural do mercado.
Existe também o risco de que a abertura dos mercados americanos, quando ocorrer, possa revelar desequilíbrios inesperados entre as instituições financeiras. Uma forte mudança nas taxas de juros relativas, por exemplo, poderia desencadear fraqueza num fundo hedge superexposto ao capital especulativo - do mesmo tipo que o Long Term Capital Management sofreu na época da crise econômica russa de 1998.
A comunidade financeira e as autoridades parecem totalmente conscientes desse risco, porém, e têm tomado medidas para minimizá-lo, com todas as perspectivas de sucesso.
Portanto, com equilíbrio, as empresas e as finanças provavelmente se recuperarão surpreendentemente depressa dos terríveis acontecimentos desta terça-feira. Olhando para uma Wall Street silenciosa e uma ampla área deserta no centro de Manhattan, isso parece difícil de acreditar agora.
Mas uma recuperação rápida será o sinal mais claro possível de que a comunidade econômica americana não pode ser conquistada pelo terror.
Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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