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13/09/2001 - 10h04

Editorial: Nova desordem global

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da Folha de S.Paulo

Dois dias depois dos ataques aos EUA, os possíveis efeitos econômicos do terror começam a ficar mais claros. Destaca-se nesse sentido o aumento da probabilidade de uma recessão a curto prazo, o que significaria o fim do processo de desaquecimento que ficou conhecido como "pouso suave". Mas há também efeitos a longo prazo que começam a entrar nos cálculos de investidores e analistas.

Os impactos de um ambiente político internacional mais tenso sobre os fluxos de comércio incluem a possibilidade de contágio sob a forma de medidas protecionistas.

Diante de um provável agravamento das tendências recessivas a curto prazo, cada país tende a adotar políticas defensivas, protegendo seus mercados. Essa reação instintiva apenas agravaria a recessão, pois as oportunidades de comércio diminuiriam em escala global. Projetos mais ambiciosos, como o da Área de Livre Comércio das Américas, podem ter seu ritmo e sentido alterados.

As condições de negociação com a maior potência do planeta mudarão. Para lideranças políticas e econômicas da União Européia e da Ásia, por exemplo, podem surgir novas oportunidades. Esse ainda pode ser um momento para sugerir uma revisão mais rápida e profunda de princípios consagrados pelo Consenso de Washington, pelo FMI ou pela OMC.

Em última análise, é também a partilha desequilibrada e excludente do poder econômico mundial que dá origem às tentativas desesperadas de contestar o centro dominante.

Resta saber se as lideranças norte-americanas serão capazes de fazer concessões ou de reduzir sua agressividade na diplomacia econômica num momento em que, ao contrário, elas precisam reafirmar seu predomínio. Também pode aumentar a intensidade com que os interesses das grandes corporações dos EUA são afirmados nos foros internacionais de negociação econômica.

Em última análise, o que está em questão é a capacidade de liderança dos EUA, algo que depende sobretudo de seu poder econômico e de sua habilidade para oferecer segurança ao sistema econômico internacional. Num período que já é de desaceleração, uma recessão poderia ser a porta de entrada para uma desordem global ainda mais tensa e imprevisível.


Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
 

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