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15/09/2001
-
04h45
NELSON DE SÁ
editor da Ilustrada
A CNN saltou na frente das outras redes e anuncia sem parar, na cobertura, a Nova Guerra da América -e não mais América sob Ataque, seu slogan anterior.
É uma forma de estimular a guerra. Guerra que, para a CNN mais do que para outras, pode ser um bom negócio.
Na terça, quando dos ataques, a CNN atingiu seu segundo dia de maior audiência nos EUA, com 5,5 pontos, menor só do que 17 de janeiro de 1991, na Guerra do Golfo, com 9,2.
A guerra seria boa notícia, por outro lado, para o canal que já divulga que os seus jornalistas são "os únicos que continuam no Afeganistão". Eles e os seus videofones estão ativos como nunca, preparando corações e mentes do mundo.
Ontem falavam da mensagem do líder espiritual do Taleban, aos afegãos, para não temerem uma invasão americana. Do correspondente da CNN:
- Ele afirmou que não tem medo de morrer.
É uma cobertura parecida com a que fez a fama mundial da CNN na Guerra do Golfo, com os jornalistas expostos ao perigo. Os heróis da audiência, pode-se dizer.
De todo modo, essa cobertura permite saber que a maioria dos afegãos não está fugindo pelo simples fato de ser miserável, sem dinheiro ou carro.
Essa cobertura permite saber que a mensagem do líder não foi além do rádio, porque não há televisão no país.
E é esse país medieval, feudal, o alvo da superpotência.
A histeria da TV americana, que a brasileira acompanha por inércia, bateu recorde: em seu quinto dia, está há mais tempo cobrindo ininterruptamente um único acontecimento.
O recorde era do assassinato de John Kennedy.
Em cena mostrada ao vivo até por redes brasileiras, com Bush e ex-presidentes numa catedral, o tele-reverendo Billy Graham abençoou as armas dos EUA ao usar a palavra guerra em plena cerimônia religiosa.
No estúdio da CNN, o filho de Graham chegou a dizer que, quando recomenda dar a outra face, a Bíblia fala de indivíduos, não nações.
Na outra grande cena armada do dia, trabalhadores gritavam para George W. Bush, entre os destroços telegênicos do World Trade Center:
- USA! USA! USA!
Populista, megafone na mão, Bush respondeu:
- Eu os ouço! O resto do mundo os ouve! E aqueles que derrubaram estes prédios vão ouvir de nós logo!
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Nelson de Sá: USA! USA! USA!
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editor da Ilustrada
A CNN saltou na frente das outras redes e anuncia sem parar, na cobertura, a Nova Guerra da América -e não mais América sob Ataque, seu slogan anterior.
É uma forma de estimular a guerra. Guerra que, para a CNN mais do que para outras, pode ser um bom negócio.
Na terça, quando dos ataques, a CNN atingiu seu segundo dia de maior audiência nos EUA, com 5,5 pontos, menor só do que 17 de janeiro de 1991, na Guerra do Golfo, com 9,2.
A guerra seria boa notícia, por outro lado, para o canal que já divulga que os seus jornalistas são "os únicos que continuam no Afeganistão". Eles e os seus videofones estão ativos como nunca, preparando corações e mentes do mundo.
Ontem falavam da mensagem do líder espiritual do Taleban, aos afegãos, para não temerem uma invasão americana. Do correspondente da CNN:
- Ele afirmou que não tem medo de morrer.
É uma cobertura parecida com a que fez a fama mundial da CNN na Guerra do Golfo, com os jornalistas expostos ao perigo. Os heróis da audiência, pode-se dizer.
De todo modo, essa cobertura permite saber que a maioria dos afegãos não está fugindo pelo simples fato de ser miserável, sem dinheiro ou carro.
Essa cobertura permite saber que a mensagem do líder não foi além do rádio, porque não há televisão no país.
E é esse país medieval, feudal, o alvo da superpotência.
A histeria da TV americana, que a brasileira acompanha por inércia, bateu recorde: em seu quinto dia, está há mais tempo cobrindo ininterruptamente um único acontecimento.
O recorde era do assassinato de John Kennedy.
Em cena mostrada ao vivo até por redes brasileiras, com Bush e ex-presidentes numa catedral, o tele-reverendo Billy Graham abençoou as armas dos EUA ao usar a palavra guerra em plena cerimônia religiosa.
No estúdio da CNN, o filho de Graham chegou a dizer que, quando recomenda dar a outra face, a Bíblia fala de indivíduos, não nações.
Na outra grande cena armada do dia, trabalhadores gritavam para George W. Bush, entre os destroços telegênicos do World Trade Center:
- USA! USA! USA!
Populista, megafone na mão, Bush respondeu:
- Eu os ouço! O resto do mundo os ouve! E aqueles que derrubaram estes prédios vão ouvir de nós logo!
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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