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16/09/2001
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12h15
16/09/2001
Se a situação econômica mundial já se encontrava numa fase de deterioração das expectativas, os atentados terroristas da semana passada acentuam a crise de confiança.
A tendência, num cenário de maior incerteza sobre o rumo do sistema internacional, em que conflitos armados prolongados são bastante prováveis, é a elevação do que os economistas denominam "custos de transação". Ou seja, ficará mais caro transportar mercadorias e pessoas, assim como comunicar-se e fazer transações comerciais em escala internacional. Além dos custos de seguros e fretes, aumenta o próprio risco de cada negócio, pois o escopo de um ataque terrorista é hoje tão global quanto qualquer operação realizada por empresa multinacional.
Num sistema empresarial cuja rentabilidade já vinha declinando, isso equivale a um choque de custos, reduzindo ainda mais a lucratividade e, portanto, a inclinação de empresas e indivíduos a realizar investimentos.
Entre os consumidores, também já vinha sendo registrada perda de confiança na economia norte-americana. O provável temor de frequentar lugares públicos e a sensação difusa -porém intensa- de interrupção do crescimento econômico norte-americano ganham peso.
No curto prazo, a única fonte possível de impulso econômico seria o aumento expressivo do gasto público, associado não só a uma campanha militar prolongada, mas a uma significativa ampliação de gastos com segurança em todos os níveis, em especial no monitoramento eletrônico e na intensificação dos investimentos em tecnologia de informação e de controle das comunicações.
Promover novas quedas nas taxas de juros nos EUA também poderia contribuir para um esforço de recuperação da economia.
Mas os riscos desse cenário não são desprezíveis. Com a economia ainda em desaquecimento, o superávit nas contas públicas dos EUA vem sofrendo revisões para baixo. Um aumento expressivo de gastos públicos, nesse contexto, poderia criar expectativas de alta dos juros no longo prazo. Um dólar mais fraco, nesse cenário, aumentaria também o risco de pressões inflacionárias.
Em tese, uma coordenação mundial de políticas econômicas seria o caminho mais seguro para criar um colchão anti-recessão.
Mas é esse um dos fronts em que lideranças econômicas e políticas dos EUA, da Ásia e da União Européia têm falhado nos últimos anos.
Da reforma da arquitetura financeira global aos conflitos em torno da nova rodada de liberalização comercial, passando pelos confrontos na regulação dos investimentos multinacionais, ainda não surgiu nem sequer o esboço de um sistema global coordenado a ponto de reverter as atuais tendências recessivas.
Este é o pano de fundo: uma ampla crise institucional e de confiança, em que se desenrola o "day after" dos atentados terroristas ao centro do poder militar, tecnológico e financeiro do sistema econômico mundial.
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Editorial: Mundo sem confiança
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Se a situação econômica mundial já se encontrava numa fase de deterioração das expectativas, os atentados terroristas da semana passada acentuam a crise de confiança.
A tendência, num cenário de maior incerteza sobre o rumo do sistema internacional, em que conflitos armados prolongados são bastante prováveis, é a elevação do que os economistas denominam "custos de transação". Ou seja, ficará mais caro transportar mercadorias e pessoas, assim como comunicar-se e fazer transações comerciais em escala internacional. Além dos custos de seguros e fretes, aumenta o próprio risco de cada negócio, pois o escopo de um ataque terrorista é hoje tão global quanto qualquer operação realizada por empresa multinacional.
Num sistema empresarial cuja rentabilidade já vinha declinando, isso equivale a um choque de custos, reduzindo ainda mais a lucratividade e, portanto, a inclinação de empresas e indivíduos a realizar investimentos.
Entre os consumidores, também já vinha sendo registrada perda de confiança na economia norte-americana. O provável temor de frequentar lugares públicos e a sensação difusa -porém intensa- de interrupção do crescimento econômico norte-americano ganham peso.
No curto prazo, a única fonte possível de impulso econômico seria o aumento expressivo do gasto público, associado não só a uma campanha militar prolongada, mas a uma significativa ampliação de gastos com segurança em todos os níveis, em especial no monitoramento eletrônico e na intensificação dos investimentos em tecnologia de informação e de controle das comunicações.
Promover novas quedas nas taxas de juros nos EUA também poderia contribuir para um esforço de recuperação da economia.
Mas os riscos desse cenário não são desprezíveis. Com a economia ainda em desaquecimento, o superávit nas contas públicas dos EUA vem sofrendo revisões para baixo. Um aumento expressivo de gastos públicos, nesse contexto, poderia criar expectativas de alta dos juros no longo prazo. Um dólar mais fraco, nesse cenário, aumentaria também o risco de pressões inflacionárias.
Em tese, uma coordenação mundial de políticas econômicas seria o caminho mais seguro para criar um colchão anti-recessão.
Mas é esse um dos fronts em que lideranças econômicas e políticas dos EUA, da Ásia e da União Européia têm falhado nos últimos anos.
Da reforma da arquitetura financeira global aos conflitos em torno da nova rodada de liberalização comercial, passando pelos confrontos na regulação dos investimentos multinacionais, ainda não surgiu nem sequer o esboço de um sistema global coordenado a ponto de reverter as atuais tendências recessivas.
Este é o pano de fundo: uma ampla crise institucional e de confiança, em que se desenrola o "day after" dos atentados terroristas ao centro do poder militar, tecnológico e financeiro do sistema econômico mundial.
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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