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16/09/2001
-
12h17
15/09/2001
A posição do governo brasileiro ante os trágicos atentados terroristas ocorridos nos EUA ainda é vacilante. Deplorou o fato, como não poderia deixar de fazer, mas não mostrou o caminho prático que efetivamente tomará. Num momento que muitos afirmam ser de transição na ordem mundial, o Brasil tem de abraçar posições mais firmes e claras em favor da democracia e do respeito aos direitos individuais.
A solidariedade com a população norte-americana deve ser total. Os atentados constituíram-se numa tragédia inominável e não é possível ser conivente com o terrorismo.
Porém não parece conveniente embarcar na ânsia de vingança, no desejo de "retribuir na mesma moeda", de usar a lei de talião.
Seria de uma ingenuidade patética imaginar que Washington vá mudar seus planos de ação por causa da posição do governo brasileiro, mas não é megalomania lembrar que a política externa brasileira é soberana e independente. E a característica de não se alinhar automaticamente é uma tradição louvável do Itamaraty.
Por enquanto, a única declaração importante do ministro Celso Lafer foi a de que acatará as resoluções da ONU e da Otan (aliança militar ocidental liderada pelos EUA), da qual, inclusive, o Brasil não faz parte.
Cabe à Chancelaria definir novas estratégias de política externa para os cenários futuros de relações internacionais. Esses cenários ainda se apresentam revestidos de grande incerteza, e é por isso que o apego aos princípios fundamentais de democracia e liberdade deve servir para a formulação das bases dessa política.
A definição do colunista Janio de Freitas, ontem, nesta Folha, é lapidar e merece menção: "O combate à nova ameaça exposta em Nova York pode ser racional e decente, não precisa igualar-se em desumanidade e em criminalidade ao que condena".
Espera-se que os EUA mostrem bom senso nesta hora tão difícil. Se não mostrarem, espera-se que o Brasil não se omita em opinar e defender seus princípios.
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Editorial: Rumo independente
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A posição do governo brasileiro ante os trágicos atentados terroristas ocorridos nos EUA ainda é vacilante. Deplorou o fato, como não poderia deixar de fazer, mas não mostrou o caminho prático que efetivamente tomará. Num momento que muitos afirmam ser de transição na ordem mundial, o Brasil tem de abraçar posições mais firmes e claras em favor da democracia e do respeito aos direitos individuais.
A solidariedade com a população norte-americana deve ser total. Os atentados constituíram-se numa tragédia inominável e não é possível ser conivente com o terrorismo.
Porém não parece conveniente embarcar na ânsia de vingança, no desejo de "retribuir na mesma moeda", de usar a lei de talião.
Seria de uma ingenuidade patética imaginar que Washington vá mudar seus planos de ação por causa da posição do governo brasileiro, mas não é megalomania lembrar que a política externa brasileira é soberana e independente. E a característica de não se alinhar automaticamente é uma tradição louvável do Itamaraty.
Por enquanto, a única declaração importante do ministro Celso Lafer foi a de que acatará as resoluções da ONU e da Otan (aliança militar ocidental liderada pelos EUA), da qual, inclusive, o Brasil não faz parte.
Cabe à Chancelaria definir novas estratégias de política externa para os cenários futuros de relações internacionais. Esses cenários ainda se apresentam revestidos de grande incerteza, e é por isso que o apego aos princípios fundamentais de democracia e liberdade deve servir para a formulação das bases dessa política.
A definição do colunista Janio de Freitas, ontem, nesta Folha, é lapidar e merece menção: "O combate à nova ameaça exposta em Nova York pode ser racional e decente, não precisa igualar-se em desumanidade e em criminalidade ao que condena".
Espera-se que os EUA mostrem bom senso nesta hora tão difícil. Se não mostrarem, espera-se que o Brasil não se omita em opinar e defender seus princípios.
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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