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16/09/2001 - 12h20

Editorial: Um Estado em xeque

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14/09/2001

Os americanos exigem que os responsáveis pelos odiosos atentados a Nova York e a Washington sejam punidos. Antes de mais nada, o resto do mundo deve apoiar e ajudar no que for possível para prender e levar os terroristas a julgamento. Não é aceitável, em lugar nenhum do mundo civilizado, a conivência com a chaga do terrorismo.

Porém não se pode deixar de olhar com preocupação para o radicalismo surgido na própria sociedade americana. É certo que ela é a vítima, e a sensação de insegurança tem levado ao aumento nas vendas de armas e ao clamor por uma "retribuição", embora ainda não se saiba exatamente contra quem.

Washington, em situações similares, costuma mandar bombas antes e perguntar depois, como fez após os ataques a embaixadas dos EUA na África (também atribuídos ao grupo extremista do saudita Osama bin Laden). Esse tipo de reação vem sendo defendido pelos mais diversos líderes políticos e por formadores de opinião, como alguns jornalistas.

E mais. É de causar espanto um discurso corrente de que as garantias da lei não podem ser usadas como escudo pelos terroristas. Esse sentimento de guerra, de estado de exceção, parece estar contaminando a maioria da opinião pública americana.

Corre-se o grande risco de que isso seja canalizado para uma caça às bruxas interna, já que não há um inimigo externo visível. Algumas atitudes esparsas de ameaça contra comunidades islâmicas mostram que esse medo não é despropositado.

Será preciso muita cautela por parte do presidente Bush para que uma caça às bruxas não coloque em xeque o sistema democrático de seu país, fundado principalmente nos direitos individuais. Movido pelas críticas que apontam uma suposta falta de liderança sua, Bush pode ser tentado a respostas rápidas e fáceis, como a de jogar bombas logo e a de promover uma "flexibilização" no respeito aos direitos individuais.

No século 18, os "fundadores da nação" pensaram os EUA como uma nova forma de organização política, numa época em que o Estado sufocava os cidadãos. Eles deram início a uma era de direitos do indivíduo e criaram uma tradição que influenciou todo o Ocidente.

Não há que se discutir a necessidade de combater o terrorismo, mas o cuidado de não se igualar ao agressor deveria ser o mote de todos os que prezam a democracia.

Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
 

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