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18/09/2001
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12h17
18/09/2001
À medida que passam os dias, diminui o risco de os EUA reagirem de modo fortemente emocional ao sangrento ataque terrorista do último dia 11. O presidente George W. Bush continua, obviamente, utilizando uma retórica dura. Ontem mesmo afirmou que queria Osama bin Laden "vivo ou morto".
Mas vão ganhando peso declarações de secretários que falam numa guerra longa, de um outro tipo e sem muitas ações militares espetaculares.
Com efeito, não são poucas as dificuldades que se vislumbram num conflito com o Afeganistão, que é para onde se dirigem as atenções dos Estados Unidos. Diferentemente do que ocorreu nas guerras do Golfo e de Kosovo, o país centro-asiático não conta nem sequer com uma infra-estrutura que possa ser bombardeada, evitando ou limitando o envolvimento de tropas terrestres.
Vale lembrar que o terreno inóspito do Afeganistão e sua população hoje de alta religiosidade já se transformaram no pesadelo de potências invasoras. No século 19, a Grã-Bretanha travou várias guerras na região e perdeu todas. Mais recentemente, em 89, depois de dez anos de luta, foi a vez de a União Soviética abandonar, humilhada, o território afegão. Até Alexandre, o Grande, considerado um dos maiores gênios militares de todos os tempos, experimentou dificuldades na região.
Os norte-americanos parecem cientes dessas lições da história e dificilmente se envolverão numa guerra de ocupação. É bastante provável, contudo, que a opinião pública dos EUA acabe cobrando algum tipo de ação militar. Se Bush ceder a esse reclamo, poderá colocar seu país numa situação ainda mais delicada.
Não se pode desprezar a possibilidade de boa parte do Islã ficar do lado de Osama bin Laden e do Taleban. Apesar de os EUA contarem com o apoio do governo do Paquistão, é bastante forte neste país o sentimento antiamericano.
É uma boa notícia o fato de os Estados Unidos não terem reagido precipitadamente ao atentado, mas o caminho pela frente está cheio de incógnitas e armadilhas.
Leia mais no especial Oriente Médio
Editorial: Razão e emoção
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À medida que passam os dias, diminui o risco de os EUA reagirem de modo fortemente emocional ao sangrento ataque terrorista do último dia 11. O presidente George W. Bush continua, obviamente, utilizando uma retórica dura. Ontem mesmo afirmou que queria Osama bin Laden "vivo ou morto".
Mas vão ganhando peso declarações de secretários que falam numa guerra longa, de um outro tipo e sem muitas ações militares espetaculares.
Com efeito, não são poucas as dificuldades que se vislumbram num conflito com o Afeganistão, que é para onde se dirigem as atenções dos Estados Unidos. Diferentemente do que ocorreu nas guerras do Golfo e de Kosovo, o país centro-asiático não conta nem sequer com uma infra-estrutura que possa ser bombardeada, evitando ou limitando o envolvimento de tropas terrestres.
Vale lembrar que o terreno inóspito do Afeganistão e sua população hoje de alta religiosidade já se transformaram no pesadelo de potências invasoras. No século 19, a Grã-Bretanha travou várias guerras na região e perdeu todas. Mais recentemente, em 89, depois de dez anos de luta, foi a vez de a União Soviética abandonar, humilhada, o território afegão. Até Alexandre, o Grande, considerado um dos maiores gênios militares de todos os tempos, experimentou dificuldades na região.
Os norte-americanos parecem cientes dessas lições da história e dificilmente se envolverão numa guerra de ocupação. É bastante provável, contudo, que a opinião pública dos EUA acabe cobrando algum tipo de ação militar. Se Bush ceder a esse reclamo, poderá colocar seu país numa situação ainda mais delicada.
Não se pode desprezar a possibilidade de boa parte do Islã ficar do lado de Osama bin Laden e do Taleban. Apesar de os EUA contarem com o apoio do governo do Paquistão, é bastante forte neste país o sentimento antiamericano.
É uma boa notícia o fato de os Estados Unidos não terem reagido precipitadamente ao atentado, mas o caminho pela frente está cheio de incógnitas e armadilhas.
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