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20/09/2001 - 04h00

Taleban pede diálogo; Bush quer ação

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JOHN F. BURNS
CHRISTOPHER S. WREN

do "The New York Times"

O dirigente do Taleban expressou ontem sua vontade de conversar com o governo norte-americano sobre Osama bin Laden, milionário saudita e líder terrorista procurado pelos EUA como o principal suspeito dos atentados da semana passada ao World Trade Center e ao Pentágono.

O mulá Muhammad Omar fez a proposta em um discurso proferido a centenas de religiosos islâmicos vindos de todo o Afeganistão, que se reuniram ontem em Cabul a pedido dele para decidir como responderão à exigência norte-americana de entregar Bin Laden e os principais dirigentes de sua organização terrorista, o Al Qaeda ("a base").

Em Washington, Ari Fleischer, porta-voz de George W. Bush, disse que "a mensagem do presidente ao Taleban é muito simples: é tempo de ação, não de negociação". Segundo Fleischer, Bush quer que o Taleban "tome as ações necessárias para não abrigar mais terroristas -da forma que for".

"Exorto com veemência ao Taleban que entregue os líderes da Al Qaeda que se escondem em seu país", disse Bush após reunir-se com Megawati Sukarnoputri, presidenta da Indonésia -o país com o maior número de muçulmanos no mundo.

"Qualquer país que abrigue terroristas deve temer os EUA e o resto do mundo livre", acrescentou Bush.

"Nós tentamos não entrar em atrito com os EUA. Já tivemos diversas conversas com o governos norte-americano no presente e no passado e estamos preparados para mais conversas", disse Omar ao conselho.

No mesmo discurso (leia ao lado) ele afirmou que os EUA estão se utilizando de Bin Laden como pretexto para organizar um ataque ao Afeganistão pelo fato de o país ser o "único verdadeiro Estado islâmico" do mundo.

Mesmo ameaçado pela possível intervenção militar norte-americana no Afeganistão, o conselho -grupo de mais de mil ulemás (líderes políticos e religiosos) chamado de "shura"- não conseguiu chegar ontem a uma decisão sobre o futuro de Bin Laden. Os ulemás reuniram-se ontem no Palácio Presidencial, em Cabul, e deverão se reunir hoje novamente para tentar chegar a uma decisão.

Omar afirmou que nem Bin Laden nem o Afeganistão estiveram envolvidos nos atentados terroristas da semana passada, que pode ter matado mais de 5.600 pessoas.

As condições impostas pelo Taleban para um futuro apoio norte-americano, capaz de dar um fim pacífico à crise entre os países, parecem cada vez mais inatingíveis.

Suas exigências incluem reconhecimento diplomático do Taleban como governo oficial do Afeganistão, corte de todo apoio financeiro à oposição ao regime e auxílio econômico ao país.

A CNN afirmou ontem que o Taleban pediu que a emissora deixe o país.

"Deus"
Após um segundo encontro com Omar, altos oficias paquistaneses voltaram ontem para Islamabad e disseram que o futuro das negociações é incerto.
Os oficiais paquistaneses disseram também que os líderes conservadores do Taleban parecem dispostos a manter sua recusa em entregar Bin Laden.

Aos paquistaneses, Omar, o recluso líder muçulmano que lutou como guerrilheiro na invasão soviética nos anos 80, disse: "Vocês querem agradar aos EUA, eu só quero agradar a Deus".

Ao prolongar suas deliberações, os líderes do Taleban parecem esperar que os eventos ocorridos fora do Afeganistão tomem um rumo capaz de frustrar os planos de Bush de capturar Bin Laden.

Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
 

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