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21/09/2001
-
04h19
Á. ESPINOSA
do "El País", em Islamabad
Francesc Vendrell é certamente o alto funcionário internacional que mais contato teve com o Taleban. Nos dois anos em que esteve atuando como chefe da missão especial da ONU para o Afeganistão (Unsma), ele se reuniu em diversas ocasiões com os dirigentes do Taleban e é uma das duas ou três únicas pessoas não-muçulmanas que já estiveram com o líder do grupo, o mulá Mohamad Omar.
Pergunta - Como vivem os dirigentes do Taleban? Como eles pensam?
Francesc Vendrell - Não me atreveria a adivinhar o pensamento deles. Falei muito com os mais moderados. Eles são nacionalistas afegãos que devem estar extremamente preocupados com o destino do país. Os mais extremistas, próximos a Osama bin Laden, podem ter outras idéias, e temos a sensação de que são os que estão ganhando terreno.
Pergunta - Eles são tão simples como apontam relatos da imprensa ocidental?
Vendrell - Se entendermos por simples as pessoas que não têm educação ocidental, pode ser. Mas são pessoas inteligentes e sábias.
Pergunta - Como reagirão ante as ameaças? Entregarão Bin Laden?
Vendrell - É difícil dizer. Claramente, os que mandam são muito rigorosos. Também há um elemento de patriotismo que pode uni-los em uma resistência frente a outros países. Além disso, têm apoio em muitos países muçulmanos, o que dá mais força a eles. Não é fácil para o Taleban se livrar de Bin Laden. Não há unanimidade a respeito.
Pergunta - O problema terrorista se resolve com uma operação militar tal como planejam os EUA?
Vendrell - No Afeganistão, uma resposta militar que possa ser transmitida pela televisão é impossível. Não existem edifícios importantes, salvo algumas mesquitas, e espero que as mesquitas não sejam um alvo. Não sei qual ação os EUA irão realizar.
Pergunta - Ainda se pode evitar a guerra que os EUA estão anunciando?
Vendrell - Se por guerra entendemos uma intervenção militar, não necessariamente no Afeganistão, me parece pouco provável que seja evitada. Entretanto, será uma guerra distinta, deverá adaptar os métodos à situação para atingir os objetivos, que os Estados Unidos deixaram claro ser a eliminação dos terroristas e quem os protege.
Pergunta - De qualquer modo, os afegãos irão pagar um preço muito elevado?
Vendrell - A curto e médio prazo, sim. Caso a fronteira continue fechada, resultará impossível a distribuição de ajuda e a situação humanitária irá piorar. E já era muito difícil anteriormente.
Pergunta - A ONU apóia há muitos anos a opção de reempossar o rei Zahir Shah? Qual o seu legado?
Vendrell - O ex-rei é um ancião de 86 ou 87 anos que governou o Afeganistão durante 40 anos, entre 1933 e 1973. De todos os afegãos, é o único que poderia obter um apoio geral. Ele assumiria um governo de transição e convocaria a Loya Jirga, a tradicional assembléia tribal afegã.
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Será difícil ao Taleban entregar Bin Laden
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do "El País", em Islamabad
Francesc Vendrell é certamente o alto funcionário internacional que mais contato teve com o Taleban. Nos dois anos em que esteve atuando como chefe da missão especial da ONU para o Afeganistão (Unsma), ele se reuniu em diversas ocasiões com os dirigentes do Taleban e é uma das duas ou três únicas pessoas não-muçulmanas que já estiveram com o líder do grupo, o mulá Mohamad Omar.
Pergunta - Como vivem os dirigentes do Taleban? Como eles pensam?
Francesc Vendrell - Não me atreveria a adivinhar o pensamento deles. Falei muito com os mais moderados. Eles são nacionalistas afegãos que devem estar extremamente preocupados com o destino do país. Os mais extremistas, próximos a Osama bin Laden, podem ter outras idéias, e temos a sensação de que são os que estão ganhando terreno.
Pergunta - Eles são tão simples como apontam relatos da imprensa ocidental?
Vendrell - Se entendermos por simples as pessoas que não têm educação ocidental, pode ser. Mas são pessoas inteligentes e sábias.
Pergunta - Como reagirão ante as ameaças? Entregarão Bin Laden?
Vendrell - É difícil dizer. Claramente, os que mandam são muito rigorosos. Também há um elemento de patriotismo que pode uni-los em uma resistência frente a outros países. Além disso, têm apoio em muitos países muçulmanos, o que dá mais força a eles. Não é fácil para o Taleban se livrar de Bin Laden. Não há unanimidade a respeito.
Pergunta - O problema terrorista se resolve com uma operação militar tal como planejam os EUA?
Vendrell - No Afeganistão, uma resposta militar que possa ser transmitida pela televisão é impossível. Não existem edifícios importantes, salvo algumas mesquitas, e espero que as mesquitas não sejam um alvo. Não sei qual ação os EUA irão realizar.
Pergunta - Ainda se pode evitar a guerra que os EUA estão anunciando?
Vendrell - Se por guerra entendemos uma intervenção militar, não necessariamente no Afeganistão, me parece pouco provável que seja evitada. Entretanto, será uma guerra distinta, deverá adaptar os métodos à situação para atingir os objetivos, que os Estados Unidos deixaram claro ser a eliminação dos terroristas e quem os protege.
Pergunta - De qualquer modo, os afegãos irão pagar um preço muito elevado?
Vendrell - A curto e médio prazo, sim. Caso a fronteira continue fechada, resultará impossível a distribuição de ajuda e a situação humanitária irá piorar. E já era muito difícil anteriormente.
Pergunta - A ONU apóia há muitos anos a opção de reempossar o rei Zahir Shah? Qual o seu legado?
Vendrell - O ex-rei é um ancião de 86 ou 87 anos que governou o Afeganistão durante 40 anos, entre 1933 e 1973. De todos os afegãos, é o único que poderia obter um apoio geral. Ele assumiria um governo de transição e convocaria a Loya Jirga, a tradicional assembléia tribal afegã.
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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