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21/09/2001 - 04h26

Resposta a ataques gera disputa interna no governo Bush

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do "The New York Times"

O governo Bush está enfrentando problemas dadas as disputas entre seus membros quanto ao alcance e o momento de sua resposta militar ao ataque da semana passada contra os EUA, de acordo com fontes na administração.

Alguns importantes funcionários do governo, liderados por Paul Wolfowitz, subsecretário da Defesa, e I. Lewis Libby, o chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, estão pressionando por uma campanha militar ampla e iniciada o mais cedo possível, não só contra a rede de Osama bin Laden no Afeganistão mas também contra outras possíveis bases terroristas no Iraque e na região do vale de Bekaa, no Líbano.

Esse grupo quer incluir o Iraque na lista de alvos, com o objetivo de derrubar o ditador Saddam Hussein, um passo há muito defendido pelos conservadores que apóiam Bush. Diversos conservadores divulgaram uma carta anteontem pedindo que o presidente realize um "esforço determinado para remover Saddam Hussein do poder mesmo que não se possa vinculá-lo aos terroristas que atacaram Nova York".

Em resposta a esses esforços, o secretário de Estado, Colin Powell, argumentou durante suas reuniões do final de semana com o presidente Bush que a administração deveria dedicar o tempo que fosse necessário à preparação do terreno diplomático para uma ação militar norte-americana, primeiro no Afeganistão, por meio de consultas com os países aliados e apresentação de provas que justifiquem as ações diante da lei internacional.

Questionado sobre uma possível conexão iraquiana com os ataques, Wolfowitz disse: "Acredito que o presidente tenha deixado claro que o caso envolve mais de uma organização e um evento".

O choque dos ataques do dia 11, e a magnitude do desafio que responder a eles implica, de alguma forma serviram para unir e galvanizar a equipe de segurança nacional do presidente Bush.

Mas existem tensões. Elas derivam em parte de um conflito básico de papéis. Powell está encarando o pragmático mundo da formação de coalizões por meio de uma diplomacia cuidadosa junto a aliados que assumirão riscos significativos para apoiar os EUA em um momento em que o país é criticado por suas políticas no Oriente Médio.

O Pentágono está estudando uma série de opções militares, nenhuma muito atraente, enquanto seus funcionários tentam atender às expectativas presidenciais e do público quanto a um contra-ataque rápido e decisivo.

Durante um final de semana de intensas preparações de segurança nacional, muitos funcionários dizem que Powell teria insistido na cautela. Ele alegou que empreender uma ampla campanha militar, especialmente se ela incluir o Iraque -cuja população civil goza de grande simpatia no Oriente Médio pelo sofrimento a ela infligido desde a Guerra do Golfo (91) -solaparia o apoio de que Bush precisa agora.

Mas Wolfowitz é um pensador conservador que já enfrentou diversos choques com Powell e o Departamento de Estado. Ele continua a pressionar por uma campanha militar contra o Iraque que não só puniria Saddam por seu apoio histórico ao terrorismo em seu país e no exterior como eliminaria o risco que ele representa para Israel e o Ocidente, dada sua busca por armas de destruição em massa.

Na segunda-feira, Powell deixou escapar um sinal de sua impaciência com a afirmação de Wolfowitz, depois retirada, de que o governo estava comprometido a "eliminar os Estados" que apóiam o terrorismo.

"Nós queremos acabar com o terrorismo", disse Powell, quando questionado sobre a frase de Wolfowitz. "E se houver Estados, regimes, nações, que apóiem o terrorismo, esperamos persuadi-los de que é interessante mudar de rumo. Mas acredito que "acabar com o terrorismo" é o que eu diria. Que o sr. Wolfowitz fale por si."

Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
 

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