Publicidade
Publicidade
25/09/2001
-
05h05
free-lance para a Folha
O presidente Putin mostrou ontem que um maior envolvimento russo na ofensiva contra o Afeganistão já vem com um preço político. O Kremlin quer que os países ocidentais diminuam suas críticas à ofensiva russa na República separatista da Tchetchênia, que é descrita por Moscou como "uma luta contra o terrorismo e o fundamentalismo islâmico".
Abusos cometidos por tropas russas na ofensiva iniciada em 1999 foram alvos de ácidas críticas em fóruns internacionais de direitos humanos.
Putin aproveitou seu discurso de ontem também para lançar um ultimato aos rebeldes tchetchenos, exigindo deles o início, em 72 horas, de negociações sobre desarmamento. O Kremlin não indicou o que pode ocorrer se o prazo não for cumprido, hipótese mais provável.
Ao falar de sua parceria com a "coalizão internacional", Putin declarou: "A profundidade e a qualidade dessa cooperação vão depender diretamente do nível geral e da qualidade de nossas relações com os países (da coalizão) e numa compreensão comum da batalha contra o terrorismo internacional".
Mas a eventual chegada de tropas dos EUA às cercanias do Afeganistão incomoda setores do Kremlin, em especial os mais nacionalistas e a cúpula militar. Eles temem ver soldados da Otan em ex-repúblicas soviéticas, como Uzbequistão e Tadjiquistão, uma das poucas zonas de
influência que restaram a Moscou após o fim da União Soviética.
Antes de Putin dar o sinal verde para ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central receberem tropas dos EUA, o ministro da Defesa, Serguei Ivanov, chegou a afirmar não "haver a hipótese de aceitar a presença", naqueles países, de militares de países da Otan.
Na semana passada, o presidente George W. Bush telefonou ao presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, para conversar sobre a possibilidade de montar bases norte-americanas no país. Pouco depois, o jornal britânico "The Guardian" afirmou que dois aviões militares norte-americanos haviam aterrissado em Tashkent, capital uzbeque, com equipamento de vigilância. A informação não foi confirmada.
Além de pedir um fim às criticas a sua atuação na Tchetchência, Moscou estuda exigir outras concessões, como maior ajuda a Moscou de organismos internacionais, como FMI e Banco Mundial. O Kremlin também planeja pedir aos EUA que desacelerem a expansão da Otan na Europa Oriental, interpretada por Moscou como uma tentativa de isolar a Rússia.
(JS)
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Leia mais sobre os reflexos do terrorismo na economia
Comentário: Putin coloca "preço" para ajudar ação americana
Publicidade
O presidente Putin mostrou ontem que um maior envolvimento russo na ofensiva contra o Afeganistão já vem com um preço político. O Kremlin quer que os países ocidentais diminuam suas críticas à ofensiva russa na República separatista da Tchetchênia, que é descrita por Moscou como "uma luta contra o terrorismo e o fundamentalismo islâmico".
Abusos cometidos por tropas russas na ofensiva iniciada em 1999 foram alvos de ácidas críticas em fóruns internacionais de direitos humanos.
Putin aproveitou seu discurso de ontem também para lançar um ultimato aos rebeldes tchetchenos, exigindo deles o início, em 72 horas, de negociações sobre desarmamento. O Kremlin não indicou o que pode ocorrer se o prazo não for cumprido, hipótese mais provável.
Ao falar de sua parceria com a "coalizão internacional", Putin declarou: "A profundidade e a qualidade dessa cooperação vão depender diretamente do nível geral e da qualidade de nossas relações com os países (da coalizão) e numa compreensão comum da batalha contra o terrorismo internacional".
Mas a eventual chegada de tropas dos EUA às cercanias do Afeganistão incomoda setores do Kremlin, em especial os mais nacionalistas e a cúpula militar. Eles temem ver soldados da Otan em ex-repúblicas soviéticas, como Uzbequistão e Tadjiquistão, uma das poucas zonas de
influência que restaram a Moscou após o fim da União Soviética.
Antes de Putin dar o sinal verde para ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central receberem tropas dos EUA, o ministro da Defesa, Serguei Ivanov, chegou a afirmar não "haver a hipótese de aceitar a presença", naqueles países, de militares de países da Otan.
Na semana passada, o presidente George W. Bush telefonou ao presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, para conversar sobre a possibilidade de montar bases norte-americanas no país. Pouco depois, o jornal britânico "The Guardian" afirmou que dois aviões militares norte-americanos haviam aterrissado em Tashkent, capital uzbeque, com equipamento de vigilância. A informação não foi confirmada.
Além de pedir um fim às criticas a sua atuação na Tchetchência, Moscou estuda exigir outras concessões, como maior ajuda a Moscou de organismos internacionais, como FMI e Banco Mundial. O Kremlin também planeja pedir aos EUA que desacelerem a expansão da Otan na Europa Oriental, interpretada por Moscou como uma tentativa de isolar a Rússia.
(JS)
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Leia mais sobre os reflexos do terrorismo na economia
Publicidade
As Últimas que Você não Leu
Publicidade
+ LidasÍndice
- Alvo de piadas, Barron Trump se adapta à vida de filho do presidente
- Facções terroristas recrutam jovens em campos de refugiados
- Trabalhadores impulsionam oposição do setor de tecnologia a Donald Trump
- Atentado contra Suprema Corte do Afeganistão mata 19 e fere 41
- Regime sírio enforcou até 13 mil oponentes em prisão, diz ONG
+ Comentadas
- Parlamento de Israel regulariza assentamentos ilegais na Cisjordânia
- Após difamação por foto com Merkel, refugiado sírio processa Facebook
+ EnviadasÍndice





