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28/09/2001 - 04h45

Confusão cerca retaliação dos EUA

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R.W. APPLE JR.
do "The New York Times"

Duas semanas após os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, a dúvida que paira no ar é a seguinte: a administração Bush tem um plano de ação definido para o que está chamando de guerra contra o terrorismo, ou ainda tenta formular tal plano?

O plano parecia estar bastante claro quando o presidente George W. Bush discursou no Congresso, na semana passada, anunciando um ataque mundial contra o terrorismo, encabeçado pelos EUA, e mandou que as Forças Armadas entrassem em estado de alerta. Fez um discurso instigante, mas a questão da forma que a ação militar pode assumir parece ter se transformado num problema cada vez mais incômodo.

Por enquanto, senadores, diplomatas de alto escalão e especialistas em segurança nacional estão expressando dúvidas. Vários disseram, nos últimos dias, que talvez a aparente confusão seja intencional, visando esconder informações do inimigo -mas talvez seja outra coisa.

Um indício bastante claro da não-iminência de um ataque foi dado na terça-feira pelo secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, quando disse, fazendo referência à luta contra os terroristas: "Isso não é algo que começa ou termina com um evento significativo".

"É evidente que o alvo inicial é o Afeganistão, mas não é fácil decidir exatamente o que fazer. Sempre há o perigo de disparar com a arma apenas semi-engatilhada. É crucial que o primeiro ataque seja eficaz, e desconfio que ainda não disponhamos de informações confiáveis suficientes para podermos tomar as decisões-chave", disse um republicano.

Foi isso, resumidamente, que os EUA disseram a seus aliados europeus em Bruxelas, ontem. De acordo com participantes europeus na reunião, que aconteceu a portas fechadas, representantes americanos aconselharam os presentes a não prever um ataque imediato e pediram ajuda para conseguir informações necessárias para basear a ação futura.

Falou-se em Bruxelas menos sobre alguma ação militar precoce e mais sobre tentar desarticular as redes terroristas por outros meios, como um trabalho coordenado de coleta de informações.

No Capitólio, vários parlamentares americanos disseram não ter a impressão de que o presidente Bush já tenha decidido que tipo de força usar no Afeganistão, nem quando. As questões políticas e diplomáticas tampouco foram claramente definidas até agora.

O Departamento de Defesa deslocou bombardeiros de longo alcance B-1 e B-52 para a região quase imediatamente após os ataques. Mas não há alvos evidentes.

Bombardear Cabul talvez não fizesse mais do que criar ainda mais refugiados, que provavelmente iriam ao Paquistão, desestabilizando um país do qual os EUA dependem para obter informações sobre Bin Laden.
Bombardear pontos na montanhosa zona rural afegã seria igualmente problemático.

Outro plano potencial, envolvendo a ação de dissidentes afegãos contra o Taleban tropeçou em obstáculos quando foi discutido em público.

A melhor maneira de levar à Justiça os responsáveis pelos ataques seria "pedir a cooperação de cidadãos no Afeganistão fartos do domínio do Taleban", disse Bush.

Parecia ser uma referência à Aliança do Norte, uma coalizão frouxa anti-Taleban que controla apenas cerca de 10% do território afegão. Diante da escassez de opções atraentes, o senador republicano John McCain exortou Bush a seguir adiante e atacar diretamente o governo do Taleban.

No momento, uma ação conduzida pelas forças especiais americanas, possivelmente com o apoio de ataques aéreos táticos visando reduzir as baixas civis, parece constituir a alternativa menos preocupante politicamente.

A maior discussão que está sendo travada no interior da administração -sobre se os EUA deveriam ou não atacar o Iraque, visto como outro suposto patrocinador dos ataques- parece ter sido posta de lado por ora.
Reservadamente, o secretário de Estado, Colin Powell, já disse a Wolfowitz que qualquer ataque ao governo de Saddam Hussein destruiria a coalizão que ele vem tendo tanto trabalho para montar.

  • Tradução de Clara Allain

    Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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