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29/09/2001
-
03h52
THOMAS L. FRIEDMAN
do "The New York Times"
No dia seguinte aos ataques ao World Trade Center, a produção de um programa de TV egípcio me telefonou e pediu que eu explicasse o impacto dos atentados nos americanos. Eu pensei em uma analogia e finalmente disse: imagine como os egípcios se sentiriam se três suicidas jogassem aviões contra as pirâmides, com milhares de pessoas dentro. As torres do World Trade Center eram nossas pirâmides, construídas com vidro e aço em vez de pedras, e abrigavam nossas empresas. E alguém as destruiu.
Eu ainda não estou certo se o mundo entendeu o que isso significou para os americanos. Não vamos lutar por Kosovo e não vamos lutar pela Bósnia, Somália ou Kuwait. Estamos lutando pelo nosso país. E os americanos vão lutar por seu país e vão morrer por seu país.
A grande pergunta é como nós lutaremos essa guerra para entregar aos americanos o que eles querem -que não é vingança, mas justiça e segurança. Isso requer uma nova postura em relação à batalha e uma nova estratégia no campo de batalha.
Que postura? Precisamos ser realmente objetivos, realmente sérios e só um pouquinho loucos. Não quero dizer que devamos matar pessoas indiscriminadamente, especialmente os afegãos inocentes. Quero dizer que os terroristas e os seus apoiadores precisam saber que, daqui por diante, vamos fazer o que for preciso para defender nosso modo de vida.
A partir de agora, serão os maus meninos que terão de estar com medo a cada momento. Quanto mais amedrontados nossos inimigos estiverem hoje, menos teremos de lutar amanhã.
Como nova estratégia, se nossa prioridade é destruir a rede de Osama bin Laden no Afeganistão, então precisaremos entender que é preciso uma rede interna para destruir uma rede interna. Deixe-me colocar isso de outra forma: se Osama bin Laden estivesse se escondendo nas florestas da Colômbia e não no Afeganistão, quem recrutaríamos para ajudar a encontrá-lo? As Forças Especiais do Exército Americano? O Exército colombiano? Não acredito.
Na verdade, recrutaríamos os cartéis de droga. Eles têm as três qualidades de que necessitamos: sabem operar como uma rede clandestina e como consolidar uma rede competitiva, como a do sr. Bin Laden; podem ser comprados e sabem como comprar os outros; e entendem que quando dizemos que queremos alguém "vivo ou morto", que isso quer dizer "morto ou morto".
O cartel de Cali não opera no Afeganistão. Mas a máfia russa com certeza sim, assim como várias facções afegãs e agentes secretos paquistaneses. Todos eles têm sua própria rede interna local e é por meio dessas redes que lutaremos a parte afegã desta guerra contra o terrorismo. "A melhor notícia que ouvi nesta semana foi que Vladimir Putin pensa em se unir a coalizão", disse Moises Naim, editor do jornal "Foreign Policy". "Esse tipo de pessoa pode realmente nos ajudar."
Moises está certo. Algo me diz que o sr. Putin, o presidente russo e antigo espião da KGB, tem o número do telefone de uma pessoa da máfia russa que conhece uma pessoa nos cartéis afegãos que tem um amigo que conhece uma pessoa que sabe onde o sr. Bin Laden está escondido. Será este o tipo de guerra: um Exército na superfície que você combate com tanques e generais e uma rede subterrânea que é combatida com toupeiras e exterminadores.
Ao lutar essa guerra, o presidente e seus conselheiros fariam um grande favor se não falassem muito. Eles já começaram a se contradizer e a ficar presos em nós. Sejam como os terroristas: deixe que a ação fale por vocês. Isso é muito mais enervante para o inimigo.
Para tudo há um tempo. Haverá um tempo mais tarde para conversas. Haverá um tempo para negociar com outros Estados que dão apoio ao terrorismo. E haverá um tempo para promover a paz entre árabes e israelenses ou o desenvolvimento econômico. Mas agora é o tempo de caçar as pessoas que querem destruir nosso país. A guerra sozinha pode não resolver esse problema, mas o trabalho social também não vai. Uma coisa que uma guerra objetiva e encoberta fará é criar um nível de deterrência que não existia antes. Todo Estado deve saber que, depois de 11 de setembro, abrigar terroristas anti-EUA será letal.
Mas, para chegarmos a esse ponto, as pessoas terão de ver que somos objetivos e sérios e que estamos prontos para usar quaisquer táticas que façam os terroristas se sentirem mal, e não nos fazerem sentir bem. Como disse uma vez o líder da milícia libanesa Bashir Gemayel sobre o Oriente Médio -antes que ele fosse assassinado: "Aqui não é a Noruega e não é a Dinamarca".
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
"Americanos vão morrer por seu país"
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do "The New York Times"
No dia seguinte aos ataques ao World Trade Center, a produção de um programa de TV egípcio me telefonou e pediu que eu explicasse o impacto dos atentados nos americanos. Eu pensei em uma analogia e finalmente disse: imagine como os egípcios se sentiriam se três suicidas jogassem aviões contra as pirâmides, com milhares de pessoas dentro. As torres do World Trade Center eram nossas pirâmides, construídas com vidro e aço em vez de pedras, e abrigavam nossas empresas. E alguém as destruiu.
Eu ainda não estou certo se o mundo entendeu o que isso significou para os americanos. Não vamos lutar por Kosovo e não vamos lutar pela Bósnia, Somália ou Kuwait. Estamos lutando pelo nosso país. E os americanos vão lutar por seu país e vão morrer por seu país.
A grande pergunta é como nós lutaremos essa guerra para entregar aos americanos o que eles querem -que não é vingança, mas justiça e segurança. Isso requer uma nova postura em relação à batalha e uma nova estratégia no campo de batalha.
Que postura? Precisamos ser realmente objetivos, realmente sérios e só um pouquinho loucos. Não quero dizer que devamos matar pessoas indiscriminadamente, especialmente os afegãos inocentes. Quero dizer que os terroristas e os seus apoiadores precisam saber que, daqui por diante, vamos fazer o que for preciso para defender nosso modo de vida.
A partir de agora, serão os maus meninos que terão de estar com medo a cada momento. Quanto mais amedrontados nossos inimigos estiverem hoje, menos teremos de lutar amanhã.
Como nova estratégia, se nossa prioridade é destruir a rede de Osama bin Laden no Afeganistão, então precisaremos entender que é preciso uma rede interna para destruir uma rede interna. Deixe-me colocar isso de outra forma: se Osama bin Laden estivesse se escondendo nas florestas da Colômbia e não no Afeganistão, quem recrutaríamos para ajudar a encontrá-lo? As Forças Especiais do Exército Americano? O Exército colombiano? Não acredito.
Na verdade, recrutaríamos os cartéis de droga. Eles têm as três qualidades de que necessitamos: sabem operar como uma rede clandestina e como consolidar uma rede competitiva, como a do sr. Bin Laden; podem ser comprados e sabem como comprar os outros; e entendem que quando dizemos que queremos alguém "vivo ou morto", que isso quer dizer "morto ou morto".
O cartel de Cali não opera no Afeganistão. Mas a máfia russa com certeza sim, assim como várias facções afegãs e agentes secretos paquistaneses. Todos eles têm sua própria rede interna local e é por meio dessas redes que lutaremos a parte afegã desta guerra contra o terrorismo. "A melhor notícia que ouvi nesta semana foi que Vladimir Putin pensa em se unir a coalizão", disse Moises Naim, editor do jornal "Foreign Policy". "Esse tipo de pessoa pode realmente nos ajudar."
Moises está certo. Algo me diz que o sr. Putin, o presidente russo e antigo espião da KGB, tem o número do telefone de uma pessoa da máfia russa que conhece uma pessoa nos cartéis afegãos que tem um amigo que conhece uma pessoa que sabe onde o sr. Bin Laden está escondido. Será este o tipo de guerra: um Exército na superfície que você combate com tanques e generais e uma rede subterrânea que é combatida com toupeiras e exterminadores.
Ao lutar essa guerra, o presidente e seus conselheiros fariam um grande favor se não falassem muito. Eles já começaram a se contradizer e a ficar presos em nós. Sejam como os terroristas: deixe que a ação fale por vocês. Isso é muito mais enervante para o inimigo.
Para tudo há um tempo. Haverá um tempo mais tarde para conversas. Haverá um tempo para negociar com outros Estados que dão apoio ao terrorismo. E haverá um tempo para promover a paz entre árabes e israelenses ou o desenvolvimento econômico. Mas agora é o tempo de caçar as pessoas que querem destruir nosso país. A guerra sozinha pode não resolver esse problema, mas o trabalho social também não vai. Uma coisa que uma guerra objetiva e encoberta fará é criar um nível de deterrência que não existia antes. Todo Estado deve saber que, depois de 11 de setembro, abrigar terroristas anti-EUA será letal.
Mas, para chegarmos a esse ponto, as pessoas terão de ver que somos objetivos e sérios e que estamos prontos para usar quaisquer táticas que façam os terroristas se sentirem mal, e não nos fazerem sentir bem. Como disse uma vez o líder da milícia libanesa Bashir Gemayel sobre o Oriente Médio -antes que ele fosse assassinado: "Aqui não é a Noruega e não é a Dinamarca".
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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