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02/10/2001 - 05h48

Pacifista defende solução duradoura

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MARIA BRANT
da Folha de S.Paulo

"Todos os que têm responsabilidade têm de pensar de forma radical, e não meramente ter uma reação espontânea." É esse o desafio que o mundo enfrenta após os ataques de 11 de setembro nos EUA, segundo o pacifista indiano Shri Ravindra Varma, presidente da Gandhi Peace Foundation, com sede em Nova Déli (Índia).

Varma, 77, um dos últimos discípulos vivos do "pai dos pacifistas", Mahatma Gandhi, está em São Paulo para a 20ª Semana Gandhi, organizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo e pela Associação Palas Athena. Leia a seguir os principais trechos da entrevista que ele deu à Folha.

Folha - Como o sr. vê a reação dos EUA aos ataques do último dia 11?
Shri Ravindra Varma -
No que diz respeito aos princípios fundamentais a partir dos quais temos de buscar uma resposta, não pode haver nenhuma dúvida. Ninguém quer a guerra. Ninguém quer a destruição que é consequência da guerra. Nos últimos anos, a percepção da natureza total da destruição causada pela guerra se tornou aparente. Há uma percepção cada vez maior da natureza suicida da violência, e fica claro que, se as pessoas pudessem decidir, prefeririam utilizar métodos não-violentos. Mas a questão é: o que deveríamos fazer hoje?

É claro que os governos têm uma responsabilidade especial de proteger a população. Mas é preciso pensar nas profundas implicações de uma reação.

A reação tem impactos de curto e longo prazo, materiais e mentais. As pessoas que ocupam posições de responsabilidade têm de pesar esses impactos para assegurar que a solução não se torne fonte de mais problemas. Se você pede -e recebe- apoio, disposição para sofrer em nome de suas decisões, é sua responsabilidade assegurar que esse grande sofrimento pelo qual a população está disposta a passar seja usado para um propósito que seja comparativamente duradouro. Essa é a responsabilidade moral, esse é o desafio. Todos os que têm responsabilidade têm de pensar de forma mais radical, e não meramente ter uma reação espontânea.

Folha - Qual seria a reação ideal?
Varma -
Não há uma fórmula. Mas sua reação tem de ser avaliada por você mesmo. Os meios militares são uma possibilidade. Mas você tem certeza de que esses meios o levarão aonde deseja? A segunda pergunta é: não há outros meios? A terceira pergunta é: você quer uma escalada ou uma "desescalada"?

Há outros meios, incluindo os que estão sendo utilizados agora, como detectar e congelar contas de pessoas e organizações que patrocinam o terrorismo. Mas, com grande respeito e deferência, é preciso perguntar: não se sabia disso antes? E nada foi feito? Se sabemos que alguém está fazendo o mal e não fazemos nada para impedi-lo, estamos, de uma forma talvez inconsciente, consentindo com o mal. É minha responsabilidade, se sei que alguém está fazendo o mal, resistir. O desafio que emergiu no dia 11 de setembro é pensar profundamente em como lidar com o mal, na hora certa, da forma certa. E, acho que, se fizermos isso, seremos forçados pela lógica e pela experiência à conclusão de que temos de achar formas não-violentas.

Folha - Quais formas?
Varma -
Não cooperar com nenhuma das formas do mal. Não ser conivente. Utilizar métodos econômicos, como os que citei. Dialogar. Influenciar o pensamento uns dos outros. Enfatizar o fato de que somos tão interdependentes que, se tentarmos destruir um, prejudicaremos todos.


Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
 

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