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05/10/2001
-
04h37
R. W. APPLE JR.
do "The New York Times"
Ações militares cuidadosamente limitadas contra o Afeganistão talvez comecem ainda neste mês, de acordo com importantes funcionários dos governos norte-americano e britânico, mas há muita coisa indefinida a respeito da campanha.
A viagem do secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, ao Oriente Médio é vista como um importante esforço para coordenar a política da coalizão de maneira mais efetiva antes das operações iniciais. Ela tem paralelos na viagem realizada à região pelo hoje vice-presidente Dick Cheney quando ele era secretário da Defesa, em agosto de 1990, abrindo o caminho para a imensa concentração de recursos militares contra o Iraque que precedeu a Guerra do Golfo (91).
Mas as questões militares e diplomáticas que embasam a missão de Rumsfeld são, de muitas maneiras, mais difíceis do que as que Cheney enfrentou em 1990. Cheney estava, na prática, procurando permissão dos países do golfo Pérsico para usar seus territórios como base para uma imensa força internacional que teria por objetivo expulsar os invasores iraquianos do Kuait. Rumsfeld tenta montar uma coalizão de países não alinhados e potencialmente instáveis para uma missão ainda não plenamente definida.
O dilema estratégico central é: quanto mais os EUA pressionarem os líderes moderados, muitos dos quais autocráticos, do Oriente Médio por ajuda em sua campanha, mais os colocam em risco. Se forem longe demais, eles estariam sob ameaça, no mínimo, de serem rotulados de fantoches dos EUA, perdendo poder para os militantes islâmicos em seus países.
"Nem todo país do mundo se levanta da cama de manhã e vê o mundo exatamente como nós", disse Rumsfeld quando partia para o Oriente Médio na noite de terça-feira, tentando explicar as reservas de alguns países. "Eles têm vizinhos diferentes dos que temos, têm problemas diferentes dos nossos."
Vejamos o Paquistão, que já testou armas nucleares, tem um histórico de instabilidade política e prometeu cooperação. Mas os EUA estão propositadamente limitando seus pedidos de basear tropas lá, e o itinerário de Rumsfeld deliberadamente exclui Islamabad, para que uma visita não seja considerada provocação.
A mais importante contribuição do Paquistão pode acontecer no campo da informação. Com Rússia, Egito e, em menor grau, China, acredita-se que seja o país que dispõe de melhores dados sobre Osama bin Laden.
Problemas semelhantes acontecem na Arábia Saudita, onde os EUA mantêm cerca de 5.000 soldados e uma importante base aérea. O país é um aliado firme de Washington e importante fornecedor de petróleo, mas também sustenta as mesquitas e os líderes religiosos que difundem uma versão rígida do islamismo, conhecida como wahabismo, próxima à defendida pelos militantes radicais. Com essa lealdade dividida entre os EUA e sua visão do islamismo não é fácil para a Arábia Saudita fazer escolhas estratégicas claras sobre o conflito iminente.
Bin Laden nasceu na Arábia Saudita. E o mesmo vale para diversos dos sequestradores envolvidos no ataque de setembro.
Funcionários sauditas, com os quais Rumsfeld se reuniu anteontem, relutam em autorizar o uso de bases em seu território para a montagem de ataques aéreos generalizados contra o Afeganistão.
O Egito, onde Rumsfeld esteve ontem, representa problemas especiais e
não "está correndo para nos ajudar", nas palavras de um membro do governo dos EUA.
O presidente Hosni Mubarak está sempre vigilante em relação aos
militantes islâmicos, hostis ao seu governo, que organizaram o assassinato de seu predecessor, Anuar Sadat, exatamente 20 anos atrás.
Um dos suspeitos na conspiração é hoje associado íntimo de Bin Laden.
Com a imprensa egípcia apresentando relatos bastante coloridos e antiamericanos sobre a crise atual, diz-se que Mubarak estaria penando para decidir que apoio dar a Washington, seu principal patrocinador internacional.
"Alguns desses países vêem a crise como um perigo, e outros a encaram como oportunidade", disse um antigo funcionário do Departamento de Estado. "A segunda parte dessa declaração pode parecer uma feliz coincidência para nós, mas não queremos ceder demais e terminar nos aproximando em excesso de países que não compartilham sequer minimamente de nossos valores."
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
Análise: Formar coalizão atual é mais difícil que a do Golfo
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do "The New York Times"
Ações militares cuidadosamente limitadas contra o Afeganistão talvez comecem ainda neste mês, de acordo com importantes funcionários dos governos norte-americano e britânico, mas há muita coisa indefinida a respeito da campanha.
A viagem do secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, ao Oriente Médio é vista como um importante esforço para coordenar a política da coalizão de maneira mais efetiva antes das operações iniciais. Ela tem paralelos na viagem realizada à região pelo hoje vice-presidente Dick Cheney quando ele era secretário da Defesa, em agosto de 1990, abrindo o caminho para a imensa concentração de recursos militares contra o Iraque que precedeu a Guerra do Golfo (91).
Mas as questões militares e diplomáticas que embasam a missão de Rumsfeld são, de muitas maneiras, mais difíceis do que as que Cheney enfrentou em 1990. Cheney estava, na prática, procurando permissão dos países do golfo Pérsico para usar seus territórios como base para uma imensa força internacional que teria por objetivo expulsar os invasores iraquianos do Kuait. Rumsfeld tenta montar uma coalizão de países não alinhados e potencialmente instáveis para uma missão ainda não plenamente definida.
O dilema estratégico central é: quanto mais os EUA pressionarem os líderes moderados, muitos dos quais autocráticos, do Oriente Médio por ajuda em sua campanha, mais os colocam em risco. Se forem longe demais, eles estariam sob ameaça, no mínimo, de serem rotulados de fantoches dos EUA, perdendo poder para os militantes islâmicos em seus países.
"Nem todo país do mundo se levanta da cama de manhã e vê o mundo exatamente como nós", disse Rumsfeld quando partia para o Oriente Médio na noite de terça-feira, tentando explicar as reservas de alguns países. "Eles têm vizinhos diferentes dos que temos, têm problemas diferentes dos nossos."
Vejamos o Paquistão, que já testou armas nucleares, tem um histórico de instabilidade política e prometeu cooperação. Mas os EUA estão propositadamente limitando seus pedidos de basear tropas lá, e o itinerário de Rumsfeld deliberadamente exclui Islamabad, para que uma visita não seja considerada provocação.
A mais importante contribuição do Paquistão pode acontecer no campo da informação. Com Rússia, Egito e, em menor grau, China, acredita-se que seja o país que dispõe de melhores dados sobre Osama bin Laden.
Problemas semelhantes acontecem na Arábia Saudita, onde os EUA mantêm cerca de 5.000 soldados e uma importante base aérea. O país é um aliado firme de Washington e importante fornecedor de petróleo, mas também sustenta as mesquitas e os líderes religiosos que difundem uma versão rígida do islamismo, conhecida como wahabismo, próxima à defendida pelos militantes radicais. Com essa lealdade dividida entre os EUA e sua visão do islamismo não é fácil para a Arábia Saudita fazer escolhas estratégicas claras sobre o conflito iminente.
Bin Laden nasceu na Arábia Saudita. E o mesmo vale para diversos dos sequestradores envolvidos no ataque de setembro.
Funcionários sauditas, com os quais Rumsfeld se reuniu anteontem, relutam em autorizar o uso de bases em seu território para a montagem de ataques aéreos generalizados contra o Afeganistão.
O Egito, onde Rumsfeld esteve ontem, representa problemas especiais e
não "está correndo para nos ajudar", nas palavras de um membro do governo dos EUA.
O presidente Hosni Mubarak está sempre vigilante em relação aos
militantes islâmicos, hostis ao seu governo, que organizaram o assassinato de seu predecessor, Anuar Sadat, exatamente 20 anos atrás.
Um dos suspeitos na conspiração é hoje associado íntimo de Bin Laden.
Com a imprensa egípcia apresentando relatos bastante coloridos e antiamericanos sobre a crise atual, diz-se que Mubarak estaria penando para decidir que apoio dar a Washington, seu principal patrocinador internacional.
"Alguns desses países vêem a crise como um perigo, e outros a encaram como oportunidade", disse um antigo funcionário do Departamento de Estado. "A segunda parte dessa declaração pode parecer uma feliz coincidência para nós, mas não queremos ceder demais e terminar nos aproximando em excesso de países que não compartilham sequer minimamente de nossos valores."
Leia mais no especial sobre atentados nos EUA
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