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09/10/2001
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03h44
09/10/2001
O ataque ao Afeganistão, que deve se prolongar por toda a semana, converte-se no grande fator de instabilidade política na Ásia Central desde que o Exército Vermelho deixou o território afegão, em 1989. Uma série de relações de afinidade e distanciamento, envolvendo grupos étnicos e doutrinas religiosas, será profundamente afetada.
Os EUA estão atentos a esse desdobramento. Mas vão ter de mudar seu padrão histórico de intervenção para não impulsionar novamente a roda viva de ditadores, grupos terroristas e crimes contra os direitos humanos na região. Basta uma olhadela nos países e grupos com que Washington se uniu para notar o potencial explosivo da aliança.
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, ascendeu através de um golpe de Estado. Tenta equilibrar-se entre a pressão norte-americana e um expressivo movimento popular que apóia seu governo e é simpático ao Taleban. Esse tenso equilíbrio pode ter sofrido duro golpe com os expurgos promovidos por Musharraf contra vozes dissidentes internas à própria coalizão que o sustenta.
A Aliança do Norte, milícia anti-Taleban com a qual os EUA parecem contar para a tomada do governo de Cabul, tem notórias ligações com o tráfico de drogas. Sua passagem anterior pelo governo afegão foi marcada por episódios sangrentos de violações de direitos humanos. Além disso, nessa coalizão não está representado o principal grupo étnico afegão, o pashtu, o que é uma senha quase certa para perseguições no futuro.
Problemas análogos também se podem antever na aproximação entre Washington e a ex-república soviética do Uzbequistão. Seu presidente, Islam Karimov, proscreveu toda e qualquer oposição islâmica a seu governo. Mantém centenas de pessoas presas por motivos políticos.
Mas os temores de que a aliança liderada por Washington dê vazão a uma escalada talvez incontrolável de violência na Ásia vale também para nações mais proeminentes, como Rússia e China. O risco é Moscou e Pequim se sentirem ainda mais à vontade para massacrar dissidências separatistas em seus territórios.
Washington e aliados se arriscam muito, portanto, a cometer o mesmo erro do passado -dar armas, dinheiro e poder a ditadores que, além de perpetrarem desmandos sobre sua população civil, no futuro voltarão a causar problemas. Para que a ação desta feita não adicione mais lenha à fogueira asiática, é preciso que a confecção de um arranjo político mais estável para a região seja encarada como prioridade máxima.
Leia mais:
Conheça as armas usadas no ataque
Saiba tudo sobre os ataques ao Afeganistão
Entenda o que é o Taleban
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Veja os reflexos da guerra na economia
Editorial: Bombas e geopolílica
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O ataque ao Afeganistão, que deve se prolongar por toda a semana, converte-se no grande fator de instabilidade política na Ásia Central desde que o Exército Vermelho deixou o território afegão, em 1989. Uma série de relações de afinidade e distanciamento, envolvendo grupos étnicos e doutrinas religiosas, será profundamente afetada.
Os EUA estão atentos a esse desdobramento. Mas vão ter de mudar seu padrão histórico de intervenção para não impulsionar novamente a roda viva de ditadores, grupos terroristas e crimes contra os direitos humanos na região. Basta uma olhadela nos países e grupos com que Washington se uniu para notar o potencial explosivo da aliança.
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, ascendeu através de um golpe de Estado. Tenta equilibrar-se entre a pressão norte-americana e um expressivo movimento popular que apóia seu governo e é simpático ao Taleban. Esse tenso equilíbrio pode ter sofrido duro golpe com os expurgos promovidos por Musharraf contra vozes dissidentes internas à própria coalizão que o sustenta.
A Aliança do Norte, milícia anti-Taleban com a qual os EUA parecem contar para a tomada do governo de Cabul, tem notórias ligações com o tráfico de drogas. Sua passagem anterior pelo governo afegão foi marcada por episódios sangrentos de violações de direitos humanos. Além disso, nessa coalizão não está representado o principal grupo étnico afegão, o pashtu, o que é uma senha quase certa para perseguições no futuro.
Problemas análogos também se podem antever na aproximação entre Washington e a ex-república soviética do Uzbequistão. Seu presidente, Islam Karimov, proscreveu toda e qualquer oposição islâmica a seu governo. Mantém centenas de pessoas presas por motivos políticos.
Mas os temores de que a aliança liderada por Washington dê vazão a uma escalada talvez incontrolável de violência na Ásia vale também para nações mais proeminentes, como Rússia e China. O risco é Moscou e Pequim se sentirem ainda mais à vontade para massacrar dissidências separatistas em seus territórios.
Washington e aliados se arriscam muito, portanto, a cometer o mesmo erro do passado -dar armas, dinheiro e poder a ditadores que, além de perpetrarem desmandos sobre sua população civil, no futuro voltarão a causar problemas. Para que a ação desta feita não adicione mais lenha à fogueira asiática, é preciso que a confecção de um arranjo político mais estável para a região seja encarada como prioridade máxima.
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