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10/10/2001
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06h49
10/10/2001
A destruição de um escritório das Nações Unidas nas cercanias de Cabul e a morte de quatro de seus funcionários são o primeiro golpe contra a unidade da coalizão internacional que sustenta os bombardeios ao Afeganistão.
Ficou famoso na Guerra do Golfo, em 1991, o adjetivo "cirúrgico" para qualificar a precisão com que os mísseis e as bombas de nova geração atingiam seus alvos, minimizando as baixas na população civil. Finda a fase mais ostensiva daquele conflito, percebeu-se que o encantamento que esse termo produzia em parte do público só era possível porque o trabalho da imprensa independente foi altamente prejudicado. O Iraque -que sofre bombardeios frequentes até hoje- foi devastado pelo fogo da coalizão liderada pelos Estados Unidos. E o conflito produziu perto de 100 mil mortos.
Civis foram e serão atingidos na ofensiva norte-americana no Afeganistão seja porque o bombardeio cai sobre áreas urbanas, densamente povoadas, seja porque erros são cometidos nos ataques. Parece ter sido este o caso da destruição do escritório da ONU.
Um diplomático mas certeiro discurso crítico foi entabulado pela porta-voz do serviço de ajuda humanitária das Nações Unidas no Paquistão: "É preciso distinguir entre os que combatem e as pessoas inocentes." E o fato de que essa distinção, num bombardeio maciço como o atual, é impossível em 100% dos casos promete tornar-se um grande obstáculo à aliança antiterror se os Estados Unidos insistirem nesse tipo de ofensiva por longo tempo.
Para conciliar o imperativo de desmantelar a trama terrorista que tem guarida no Afeganistão com o de evitar baixas na população civil, é preciso que os bombardeios cessem o quanto antes. Bombas e mísseis matam civis inocentes e estão longe de ser suficientes para atingir um inimigo que se esconde nas montanhas.
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Editorial: Vítimas civis
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A destruição de um escritório das Nações Unidas nas cercanias de Cabul e a morte de quatro de seus funcionários são o primeiro golpe contra a unidade da coalizão internacional que sustenta os bombardeios ao Afeganistão.
Ficou famoso na Guerra do Golfo, em 1991, o adjetivo "cirúrgico" para qualificar a precisão com que os mísseis e as bombas de nova geração atingiam seus alvos, minimizando as baixas na população civil. Finda a fase mais ostensiva daquele conflito, percebeu-se que o encantamento que esse termo produzia em parte do público só era possível porque o trabalho da imprensa independente foi altamente prejudicado. O Iraque -que sofre bombardeios frequentes até hoje- foi devastado pelo fogo da coalizão liderada pelos Estados Unidos. E o conflito produziu perto de 100 mil mortos.
Civis foram e serão atingidos na ofensiva norte-americana no Afeganistão seja porque o bombardeio cai sobre áreas urbanas, densamente povoadas, seja porque erros são cometidos nos ataques. Parece ter sido este o caso da destruição do escritório da ONU.
Um diplomático mas certeiro discurso crítico foi entabulado pela porta-voz do serviço de ajuda humanitária das Nações Unidas no Paquistão: "É preciso distinguir entre os que combatem e as pessoas inocentes." E o fato de que essa distinção, num bombardeio maciço como o atual, é impossível em 100% dos casos promete tornar-se um grande obstáculo à aliança antiterror se os Estados Unidos insistirem nesse tipo de ofensiva por longo tempo.
Para conciliar o imperativo de desmantelar a trama terrorista que tem guarida no Afeganistão com o de evitar baixas na população civil, é preciso que os bombardeios cessem o quanto antes. Bombas e mísseis matam civis inocentes e estão longe de ser suficientes para atingir um inimigo que se esconde nas montanhas.
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