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16/10/2001
-
07h25
01/10/2001
É pouco provável que as cepas de antraz que vêm sendo utilizadas em ações terroristas nos EUA se revelem armas eficazes de destruição em massa. Mesmo assim, é inegável que elas exercem muito bem a função de disseminar o pânico, que vai ganhando maiores proporções à medida que aparecem novos casos. Ontem foi a vez de um congressista americano receber correspondência contaminada com a bactéria mortal.
O próprio presidente norte-americano, George W. Bush, veio a público para anunciar que o escritório do senador Tom Daschle, líder da maioria, havia recebido uma carta que, em dois testes preliminares, apresentou traços da bactéria Bacillus anthracis. Bush não foi incisivo, mas deixou bastante claro que Osama bin Laden, o líder de Al Qaeda, é suspeito.
Funcionários do escritório de Daschle já começaram a receber o tratamento com antibióticos. Até agora, pouco mais de dez pessoas foram contaminadas pela bactéria. Apenas uma morreu.
As dificuldades técnicas para promover uma campanha de bioterrorismo não são desprezíveis. Cepas de bacilos virulentas o suficiente para matar maciçamente seres humanos são difíceis de obter. Formas eficientes de dispersão dos esporos também constituem um problema.
O terrorismo, contudo, não necessita de tanta eficiência. A simples possibilidade de uma doença fatal poder ser espalhada pelo correio já serve para desestabilizar a sociedade norte-americana, a meta dos terroristas. Moléstias letais que podem chegar por meios insuspeitos a qualquer lugar do país e mesmo do mundo têm um impacto psicológico bastante considerável. Em princípio, ninguém está a salvo.
É justamente aí que reside um dos aspectos mais perversos do terrorismo: não existem defesas 100% eficazes contra ele. Por mais que os EUA invistam em segurança sempre haverá a chance de um ataque ser bem-sucedido. Essa é a essência do chamado conflito assimétrico. Basta que os terroristas tenham sucesso numa única ação.
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Editorial: A bactéria do medo
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É pouco provável que as cepas de antraz que vêm sendo utilizadas em ações terroristas nos EUA se revelem armas eficazes de destruição em massa. Mesmo assim, é inegável que elas exercem muito bem a função de disseminar o pânico, que vai ganhando maiores proporções à medida que aparecem novos casos. Ontem foi a vez de um congressista americano receber correspondência contaminada com a bactéria mortal.
O próprio presidente norte-americano, George W. Bush, veio a público para anunciar que o escritório do senador Tom Daschle, líder da maioria, havia recebido uma carta que, em dois testes preliminares, apresentou traços da bactéria Bacillus anthracis. Bush não foi incisivo, mas deixou bastante claro que Osama bin Laden, o líder de Al Qaeda, é suspeito.
Funcionários do escritório de Daschle já começaram a receber o tratamento com antibióticos. Até agora, pouco mais de dez pessoas foram contaminadas pela bactéria. Apenas uma morreu.
As dificuldades técnicas para promover uma campanha de bioterrorismo não são desprezíveis. Cepas de bacilos virulentas o suficiente para matar maciçamente seres humanos são difíceis de obter. Formas eficientes de dispersão dos esporos também constituem um problema.
O terrorismo, contudo, não necessita de tanta eficiência. A simples possibilidade de uma doença fatal poder ser espalhada pelo correio já serve para desestabilizar a sociedade norte-americana, a meta dos terroristas. Moléstias letais que podem chegar por meios insuspeitos a qualquer lugar do país e mesmo do mundo têm um impacto psicológico bastante considerável. Em princípio, ninguém está a salvo.
É justamente aí que reside um dos aspectos mais perversos do terrorismo: não existem defesas 100% eficazes contra ele. Por mais que os EUA invistam em segurança sempre haverá a chance de um ataque ser bem-sucedido. Essa é a essência do chamado conflito assimétrico. Basta que os terroristas tenham sucesso numa única ação.
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