Mãe de Madeleine chama filhos de "histéricos" em diário, diz jornal
Kate McCann, mãe de Madeleine McCann, 4, menina britânica desaparecida em 3 de maio na praia da Luz, em Portugal, chama os filhos de "histéricos" e diz que Maddie é uma criança "cujo excesso de energia consome suas forças" em um diário pessoal que a Polícia Judiciária pretende apreender, diz a edição desta quinta-feira do jornal português "Correio da Manhã".
No diário, Kate ainda se queixa do marido, Gerry, dizendo que ele não a ajudaria em tarefas domésticas, e que caberiam apenas a ela os cuidados com os filhos mais novos, os gêmeos Sean e Amelie, de 2 anos. Ainda segundo o jornal português, Kate não confessa nenhum crime, mas dá detalhes sobre as horas anteriores ao desaparecimento de Maddie.
| Andrew Stenning/Reuters |
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| Mãe de Madeleine ao lado dos gêmeos; em diário, ela chama filhos de "histéricos" |
A polícia planeja confiscar o diário de Kate, além de um laptop da família como parte das investigações. De acordo com o "Correio da Manhã", o diário não foi apreendido por se tratar de "correspondência privada" mas foi analisado por investigadores policiais.
Por não ser considerado prova, investigadores pediram ao Ministério Público sua apreensão formal. A idéia do diário teria surgido da irmã de Kate, Philomena McCann, que disse que esta seria uma forma de mostrar a Madeleine "o quanto seus pais a queriam, e o esforço que fizeram para achá-la".
"Pedi a Kate que escrevesse um diário pois, a princípio, a polícia portuguesa estava fazendo muito pouco", declarou Philomena ao jornal inglês "The Sun".
A irmã de Kate criticou a polícia portuguesa por confiscar agora o diário e o laptop da família.
"'É algo muito dolorido para eles. "É uma forma de meter um punhal onde mais dói", disse ela.
Os detetives também podem confiscar papéis dos McCann, que podem servir nas investigações.
Nesta quarta-feira, o jornal português "Diário de Notícias" informou que o Ministério Público português também irá confiscar vários brinquedos de Madeleine.
DNA
O geneticista britânico, Alec Jeffreys, criador do sistema de impressões digitais de DNA, ofereceu ajuda a Kate e Gerry McCann, e disse que aceitaria servir como testemunha no caso. O especialista disse que a coincidência de amostras de DNA, por si só, não podem estabelecer a culpabilidade dos McCann, e esclareceu que as características genéticas de Madeleine estariam em ao menos um membro da família.
| AP |
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| Foto da garota inglesa Madeleine McCann, desaparecida desde maio |
A imprensa portuguesa e inglesa indicou que os detetives do caso acharam evidências de DNA que correspondiam em 100% com as de Madeleine em um veículo que os pais da garota haviam alugado. No entanto, essa versão foi posteriormente desmentida pela polícia.
Gerry e Kate, que são médicos, foram declarados suspeitos pelo desaparecimento de sua filha, e consideram a possibilidade de realizar exames de DNA independentes no veículo que alugaram em praia da Luz.
Eles negam categoricamente qualquer participação no desaparecimento de sua filha, que tinha três anos quando foi vista pela última vez. Os McCann estavam passando férias em Praia da Luz, na região do Algarve, quando Madeleine desapareceu do quarto de hotel em que dormia, no complexo turístico Ocean Club.
No momento do desaparecimento, os pais jantavam com um grupo de amigos em um restaurante localizado a cerca de 50 metros do apartamento em que estava a garota.
Neste final de semana, os McCann voltaram para sua casa na cidade de Rothley, região central da Inglaterra, e esperam agora a decisão do juiz de instrução criminal encarregado do caso, que poderá apresentar uma acusação formal.
O casal contratou advogados no Reino Unido e em Portugal logo após terem sido declarados suspeitos formais do caso, na semana passada.
Com Ansa
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