Há seis anos Ingrid Betancourt é mantida refém das Farc
Neste sábado, a ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt completa seis anos em poder da guerrilha das Farc nas selvas da Colômbia, em meio a notícias sobre seu deteriorado estado de saúde e à falta de esperanças quanto a uma libertação em breve.
O sexto aniversário do seqüestro da política será recordado pelo partido verde Oxigênio com atos públicos na França e uma missa solene na Colômbia.
Em uma entrevista à AFP, a mãe Betancourt, Yolanda Pulecio, afirmou que é de extrema urgência conseguir tirar sua filha do cativeiro por causa de seu precário estado de saúde, como foi revelado por um vídeo divulgado recentemente.
Neste sábado, os principais canais de televisão do serviço público (France 2, France 3) e privados (M6, BFM TV e I-Télé) prestarão homenagens aos seis anos de seqüestro de Betancourt.
Várias atividades de solidariedade, como shows, projeções de filmes e debates, organizadas pela ONG "Reféns do mundo", serão realizadas em várias cidades francesas.
O governo da França e a família de Ingrid pedem uma saída humanitária para obter sua liberdade. O chanceler francês, Bernard Kouchner, viajou a Caracas e a Bogotá para tratar do assunto.
Até recentemente, as esperanças no caso Betancourt haviam se concentrado no presidente venezuelano, Hugo Chávez, nomeado como mediador pela Colômbia, decisão esta que foi revista em 22 de novembro, apesar de as Farc terem libertado, em janeiro, as reféns Clara Rojas e Consuelo González, e prometido soltar mais quatro.
"A situação de Ingrid é bastante complicada, de urgência. Ela está pedindo ajuda", alertou sua mãe, Yolanda Pulecio, que acredita que a intervenção de Chávez seja o único caminho para conseguir a liberdade de sua filha e dos demais reféns.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) propõem a troca de pelo menos 43 reféns, entre eles Betancourt, três americanos e dezenas de policiais e militares colombianos, por 500 rebeldes presos.
Na quinta-feira, o chanceler francês agradeceu, em Bogotá, pela gestão de Chávez e se declarou favorável a envolver outros países, como o Brasil, nos esforços de libertação dos reféns.
"A França participará, a pedido do presidente Alvaro Uribe, de todos os trâmites com os países latino-americanos, organismos internacionais, a Igreja (Católica), todas as associações de boa vontade, que podem nos permitir avançar nas libertações", disse Kouchner.
Na semana passada, o número dois da guerrilha, Raúl Reyes, descartou a mediação da Igreja Católica, proposta em dezembro por Uribe. Esse anúncio de Reyes, segundo Jaime Zuluaga, pesquisador da Universidade Nacional e porta-voz das organizações agrupadas na Assembléia Permanente da Sociedade Civil pela Paz, deixa claro que, no tema dos reféns, "as Farc privilegiam o cenário internacional", com a Venezuela como ponta-de-lança.
Zuluaga não descarta que outros países do subcontinente, como Brasil e Argentina, possam se unir na busca por soluções, mas alerta que, enquanto a negociação sobre as gestões diplomáticas prosseguem, o destino dos reféns parece ser cada vez mais premente.
León Valencia, ex-guerrilheiro e diretor da Fundação Novo Arco-Íris, especializada no conflito, considera que, nestes seis anos, as posições estáticas de Uribe (resgate pela força) e da guerrilha (insistência na desmilitarização de 800 km2) se esgotaram e uma outra saída se impõe.
"As Farc optaram por uma interlocução direta com um governo estrangeiro, como o de Chávez", comentou Valencia, acrescentando que, "nessa lógica, é possível que entreguem Ingrid ao presidente (francês, Nicolas) Sarkozy, em troca de um compromisso para que este promova uma iniciativa para tirá-los da lista de grupos terroristas da União Européia".
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