Dalai-lama está por trás dos distúrbios em Lhasa, diz premiê chinês
A China diz que tem as provas de que os distúrbios em Lhasa na semana passada foram "fomentados e organizados pela quadrilha do dalai-lama", afirmou nesta terça-feira o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, acrescentando que a acusação de "genocídio cultural" lançada pelo chefe religioso tibetano é "pura mentira".
"Temos as provas e os fatos demonstram que estes incidentes foram fomentados e organizados pela quadrilha do Dalai Lama", afirmou Wen durante entrevista coletiva.
Os distúrbios em Lhasa deixaram ao menos 13 mortos, segundo o boletim oficial, desde o começo da semana passada. De acordo com os tibetanos no exílio, mais de 100 pessoas morreram.
Neste domingo, o dalai-lama disse que a região está sofrendo "um tipo de genocídio cultural", e que as autoridades chinesas pretendem alcançar a paz através do uso da força.
Em entrevista concedida em Dharamsala, cidade da Índia onde está estabelecido o governo tibetano no exílio, o dalai-lama disse que, de uma forma "proposital ou não, o genocídio cultural" ocorre no Tibete. O líder espiritual também pediu a ajuda da comunidade internacional, à qual atribuiu uma responsabilidade de "caráter moral" na causa tibetana.
| Arte Folha Online |
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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira às autoridades chinesas que se contenham em sua resposta aos protestos no Tibete
Ban transmitiu sua preocupação com o fato ao embaixador chinês perante a ONU, Guangya Wang, com o qual manteve uma reunião na sede central da organização.
"Peço às autoridades que se contenham, apelo a todos os envolvidos que detenham os confrontos e a violência, e enfatizo a necessidade de uma resolução pacífica", disse o secretário-geral em entrevista coletiva posterior.
O chefe da ONU afirmou que sente "uma crescente preocupação" com notícias de "detenções, violência e perda de vidas", mas acrescentou que não tem dados exatos sobre quantas pessoas foram mortas.
Os protestos começaram na última segunda-feira, quando ocorreu o 49º aniversário da mal-sucedida insurreição de 1959, que foi violentamente reprimida pelos chineses e levou o dalai-lama ao exílio. O ápice dos recentes distúrbios ocorreu na sexta-feira.
Com Efe e Associated Press
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