Em meio a cúpula, Zimbábue anuncia recontagem de votos
Mais de dez horas após do início da cúpula sobre a situação no Zimbábue, os dirigentes dos países da África Austral ainda estavam reunidos na noite deste sábado em Lusaka para tentar encontrar uma solução à crise. Enquanto isso, a Comissão Eleitoral no Zimbábue acaba de anunciar que os votos referentes às eleições gerais de 29 de março serão recontados em 23 das 210 circunscrições do país.
A recontagem pode derrubar a maioria na câmara dos deputados e beneficiar ao partido no poder, que precisa apenas de nove cadeiras suplementares.
| Siphiwe Sibeko/Reuters |
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| Morgan Tsvangirai, do Movimento Mudança Democrática (MDC), chega a encontro |
Ela envolve, de fato, 19 circunscrições conquistadas pelo Movimento pela Mudança Democrática (MDC, oposição) e cinco vencidas pela União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF, no poder).
A comissão tem motivos suficientes para pensar que erros foram cometidos na contagem dos votos nestas 23 circunscrições, afirmou o presidente da comissão, George Chiweshe, ao jornal "Sunday Mail", destacando que a recontagem dos votos das 23 circunscrições será realizada no próximo sábado (19) para as eleições presidenciais, legislativas e senatoriais.
Os resultados são contestados pela Zanu-PF em 22 circunscrições, e pela oposição na vigésima-terceira, informou Chiweshe.
O partido do presidente zimbabuano Robert Mugabe, no poder desde a independência há 28 anos, sofreu sua primeira derrota nas legislativas, perdendo sua maioria na câmara dos deputados, segundo os resultados anunciados na semana passada pela Comissão Eleitoral.
A oposição tem 109 cadeiras, contra 97 para o Zanu-PF e um independente. Três cadeiras não foram atribuídas devido à morte de candidatos.
O resultado da eleição presidencial ainda não foi comunicado, duas semanas depois da votação.
Reunião
Em Lusaka, a reunião de cúpula dos dirigentes dos 14 países da África Austral dedicada à crise no Zimbábue varou a madrugada de domingo (horário local).
"Acredito que algo sairá" desta reunião, limitou-se a declarar o presidente zambiano Levy Mwanawasa, que dirige a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Na abertura da reunião, da qual não participa Robert Mugabe, Mwanawasa conclamou seus colegas a não ignorarem a gravidade da crise política e econômica no país vizinho.
"[A região] não pode ficar passiva quando um de seus membros fica frente a uma situação dolorosa, politica e economicamente", declarou o presidente zambiano.
O objetivo da cúpula não é colocar Robert Mugabe no banco dos réus mas seria um erro ignorar a crise que está acontecendo atualmente no Zimbábue, segundo Mwanawasa.
O tom do discurso de abertura de Mwanawasa foi bem diferente das declarações feitas em Harare por seu colega sul-africano Thabo Mbeki, segundo as quais não há crise no Zimbábue.
"Um processo eleitoral aconteceu, e estamos esperando que a Comissão Eleitoral do Zimbábue anuncie os resultados", declarou Mbeki depois de uma reunião em Harare com o presidente zimbabuano, que se recusou a participar da conferência em Lusaka.
O governo zimbabuano enviou quatro ministros à Zâmbia.
O ministro da Justiça, Patrick Chinamasa, minimizou a importância da reunião de Lusaka. "Não há necessidade de regionalizar a crise", disse Chinamasa.
O Movimento pela Mudança Democrática (MDC, oposição) conclamou a SADC a "denunciar claramente a ditadura" de Mugabe.
Morgan Tsvangirai, líder do MDC que reivindica a vitória na eleição presidencial, estava presente em Lusaka, mas não foi convidado à mesa de discussões.
A delegação do MDC deixou o centro de conferências de Lusaka a 01h15 (20h15 de Brasília).
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