EUA elevam o tom contra Rússia; Exército russo continua na Geórgia
Em meio a acusações de que a Rússia continua atacando a Geórgia no primeiro dia do cessar-fogo entre os dois países, Washington elevou o tom contra Moscou e exigiu que as tropas russas saiam do pequeno país vizinho.
Em discurso na Casa Branca, o presidente George W. Bush afirmou que Washington "se mantém ao lado do governo democraticamente eleito da Geórgia e insiste que a soberania e integridade territorial da Geórgia devem ser respeitadas". Bush declarou também que irá enviar grande quantidade de ajuda humanitária à Geórgia.
Veja como evoluíram os conflitos
Entenda os interesses envolvidos
Confira a repercussão no mundo
A invasão da Ossétia do Sul --pró-Moscou-- pela Geórgia, aliada de Washington, há seis dias, e a rápida resposta da Rússia deixaram cerca de 1.600 mortos segundo Moscou e 200, de acordo com Tbilisi. Nenhum dos dois números foram confirmados por fontes independentes. Já as Nações Unidas dizem que o conflito fez quase 100 mil refugiados.
O presidente americano afirmou que irá enviar sua secretária de Estado, Condoleezza Rice, primeiro à França, que mediou o cessar-fogo, e então a Tbilisi para reforçar os esforços americanos "para unir o mundo em defesa de uma Geórgia livre".
| Arte/Folha Online |
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Rice também fez um discurso inflamado durante coletiva nesta quarta. "Não estamos em 1968. A Rússia não pode fazer o que quiser, invadir um país e sair impune", declarou a americana, em alusão à ocupação da Tchecoslováquia (hoje, República Tcheca) pela União Soviética (URSS), em 1968. Tropas soviéticas invadiram o país para sufocar um movimento reformista, em episódio conhecido como a "Primavera de Praga". No total, 72 pessoas morreram e 200 ficaram feridas.
Rice também defendeu "a integridade do governo democraticamente eleito da Geórgia" e condenou a Rússia. "Os ataques russos foram além da questão da Ossétia do Sul, eles bombardearam Gori e destruiram a infra-estrutura georgiana. E é, por isso, que a comunidade internacional e os EUA falam de conseqüências."
Rice, porém, não especificou quais seriam as retaliações americanas e européias à Rússia pelos ataques na Geórgia.
11 de Setembro
Em uma resposta não menos inflamada a Bush, o chanceler russo, Sergey Lavrov, classificou a liderança da Geórgia como "um projeto especial dos EUA. E entendemos que os EUA estão preocupados com o seu projeto", completou.
Lavrov, citado por agências russas, afirmou que os EUA têm de escolher entre "apoio a um projeto virtual" e "uma parceria real" em questões como cooperação bilateral EUA-Rússia em assuntos como Irã.
Já o vice-premiê russo Sergei Ivanov afirmou que a resposta militar do seu país às ações militares da Geórgia são comparáveis à resposta dos EUA aos ataques de 11 de Setembro. "Nós reagimos pois não tínhamos outra opção. Qualquer país civilizado teria feito o mesmo", disse em entrevista à BBC. "Eu posso lembrá-los, o 11 de Setembro, a reação foi semelhante. Cidadãos americanos foram mortos. Vocês sabem a reação."
Cerca de 70% da população da Ossétia do Sul têm cidadania russa.
Ontem, os presidentes da Geórgia, Mikhail Saakashvili, e da Rússia, Dmitri Medvedev, assinaram um acordo de cessar-fogo proposto pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy --cujo país preside atualmente a UE. No entanto, em poucas horas, a Geórgia acusou a Rússia de desrespeitar o cessar-fogo.
Nesta quarta, Saakashvili afirmou que, em vez de recuar, como previa o acordo, as forças russas estão avançando para a capital georgiana, Tbilisi, e tentando sitiá-la. Mais cedo, ele disse também que tanques russos tinham atirado contra habitantes da cidade de Gori.
Apesar de a Rússia ser acusada de romper a trégua, o próprio acordo criou brechas para justificar a presença militar de Moscou sem que elas sejam consideradas uma quebra do tratado. Segundo o documento, as forças russas podem "implementar medidas adicionais de segurança temporariamente", enquanto aguardam a intervenção de uma força internacional.
Ataques russos
Um comboio militar da Rússia entrou nesta quarta em Gori, cidade considerada estratégica da Geórgia, cujo governo diz seguir sendo alvo de bombardeios e ataques russos.
Um jornalista da agência Associated Press disse ter visto dezenas de caminhões e blindados do Exército russo deixando a cidade de Gori --a cerca de 35 km a sul da região separatista da Ossétia do Sul, localizada em uma estrada que divide a Geórgia em duas-- e adentrando mais na Geórgia.
O comboio seguia no sentido sudoeste, na direção de Tbilisi, a capital georgiana, mas virou para o norte e montou acampamento a cerca de uma hora de carro da capital.
Autoridades georgianas disseram que os russos haviam saqueado e bombardeado Gori antes de deixar a cidade. Moscou negou a acusação, mas um jornalista da BBC em Gori disse ter visto tanques russos nas ruas enquanto seus aliados da Ossétia do Sul tomavam carros, saqueavam casas e as incendiavam.
Com agências internacionais
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