Tropas russas iniciam retirada da Geórgia, dizem militares dos EUA
O general James Cartwright, dos Estados Unidos, afirmou nesta quinta-feira, em entrevista concedida ao lado do secretário de Defesa, Robert Gates, que a Rússia, "no geral", está cooperando com o cessar-fogo declarado entre o país e a Geórgia. Os conflitos entre os dois começaram há sete dias.
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"No geral, nós vemos que eles têm cooperado e recuado para uma posição da qual poderão sair organizadamente", afirmou, de acordo com a rede de TV CNN. Ele disse que não possui atualizações sobre a movimentação russa porque "é difícil, do ponto de vista tático".
| Arte/Folha Online |
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Na entrevista, o secretário de Defesa disse não haver necessidade de as tropas americanas intervirem na região.
Ele, porém, ressaltou a importância do recuo russo, "ou as relações entre EUA e Rússia podem ser prejudicadas nos próximos anos."
Os dois militares reforçam a pressão criada nos últimos dias pelos EUA em torno da Rússia. Ontem (13), o presidente americano, George W. Bush, anunciou o envio de um megapacote de ajuda humanitária à Geórgia.
| Shawn Thew/Efe |
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| O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates (esq.), fala à imprensa com subchefe do Estado-Maior, James Cartwright |
Bush também enviou a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, para acompanhar as negociações --inicialmente mediadas pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, cujo país ocupa hoje a presidência da União Européia.
Hoje, em Paris, Rice reiterou que os EUA esperavam do presidente russo, Dmitri Medvedev, o cessar-fogo. "Os Estados Unidos defendem a integridade territorial da Geórgia. O país é membro das Nações Unidas e suas fronteiras internacionalmente reconhecidas devem ser respeitadas." "É hora de a crise acabar", completou.
Na sexta-feira (15), Rice encontra o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, para a apresentação de um novo acordo formal.
Cessar-fogo
No começo da semana, Sarkozy iniciou os diálogos entre os presidentes russo e georgiano. O líder russo foi o primeiro a assinar o acordo de cessar-fogo, em Moscou. Em Tbilisi, porém, o presidente georgiano fez exigências de mudanças no texto. Sarkozy renegociou o acordo com Medvedev, que aceitou as imposições. Saakashvili anunciou a concordância com a Rússia, mas não chegou a formalizar a questão.
Saiba mais sobre o cessar-fogo
Hoje, Sarkozy e Rice afirmaram que a americana levará a Tbilisi "uma série de documentos" destinados a "consolidar a trégua". "Se amanhã o presidente georgiano Saakashvili assinar esses documentos, então poderá começar a retirada das tropas russas", disse Sarkozy.
Separatistas
Os conflitos entre Geórgia e Rússia começaram quinta-feira (7), quando a Geórgia, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, uma região separatista que declarou independência no começo dos anos 90. Moscou reagiu à ofensiva porque apóia a secessão do pequeno território e mantêm forças de paz na região.
| Dmitry Astakhov/AP |
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| Presidente russo, Dmitri Medvedev, encontra líderes das regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia |
De acordo com a agência de notícias Interfax, o presidente russo reiterou nesta quinta que apóia os separatistas. "Por favor, saibam que a posição da Rússia não mudou. Nós vamos apoiar quaisquer decisões tomadas pelos povos da Ossétia do Sul e da Abkházia (...) e não somente apoiá-las, mas iremos garanti-las tanto no Cáucaso quanto por todo o mundo."
Com o anúncio de apoio de Medvedev, os presidentes das regiões separatistas também divulgaram mensagens. "A aspiração do povo da Ossétia do Sul à independência continua sem mudanças. Obteremos a independência em estrita conformidade com as regras do direito internacional", afirmou o presidente osseta, Edouard Kokoiti.
"No que diz respeito a nossa independência, nenhuma força vai nos deter. O objetivo será fixado e iremos até o fim juntos", acrescentou o presidente da Abkházia, Serguei Bagapch.
Gori
Também hoje, ao menos 20 explosões foram ouvidas perto da cidade estratégica georgiana de Gori, no momento em que uma retirada de tropas russas da região parece ter falhado. Não foi possível determinar imediatamente se elas seriam um reinício dos confrontos entre as forças russas e georgianas, mas o barulho parecia similar ao de morteiros.
De acordo com a agência de notícias France Presse, homens armados ameaçaram funcionários das Nações Unidas em Gori e roubaram os veículos em que viajavam. Os funcionários, que viajavam num comboio de três veículos, tiveram de abandoná-los sob a mira de uma pistola, informou o coordenador da ONU na Geórgia, Robert Watkins.
Gori, cidade estratégica próxima à região separatista georgiana da Ossétia do Sul, está sob controle do Exército russo e foi cenários de vários saques e abusos.
Com agências internacionais
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