Crise motiva suicídio de mais de cem russos em dois meses
A Rússia, que registra uma elevada taxa de suicídios, registrou nos últimos dois meses mais de cem suicídios devido às crescentes dificuldades financeiras e a perda de emprego, de acordo com a imprensa local nesta terça-feira.
Em 2008, foram registados 29 suicídios por 100 mil habitantes, número muito superior à média mundial de 14 por 100 mil.
De acordo com o psicólogo Pavel Ponomariov, "os empresários são mais vulneráveis à crise do que os russos comuns. Para essas pessoas é muito importante o status (...) e a perda do negócio significa a perda do sentido da vida".
No entanto, as estatísticas oficiais indicam que os "russos comuns" também são sensíveis a essa forma radical de solução dos seus problemas.
A comissão de investigação da Procuradoria-geral da Rússia decidiu nesta terça-feira não instaurar um processo-crime em relação à morte por enforcamento do proprietário de uma rede de lojas e de um restaurante em Nijni-Novgorov, a sul de Moscou, Serguei Poliakov, 56, em 16 de janeiro, que concluiu tratar-se de um suicídio.
Segundo a comissão, Poliakov deixou uma carta, dirigida aos familiares, na qual pede desculpa por não poder pagar as dívidas.
No final do ano passado, Alexei Khromov, um dos proprietários de uma empresa farmacêutica e de uma rede de farmácias de São Petersburgo, matou-se com um tiro supostamente também por não ter conseguido pagar as dívidas.
Antes, Vladimir Grigoriadi, outro proprietário da mesma empresa, atirou-se do 16º andar de um edifício.
Em 14 de janeiro, Vladimir Zubkov, dono da Sobi, uma das maiores empresas russas especializadas na venda de bilhetes de avião e trem, suicidou-se também por não conseguido pagar as dívidas contraídas.
O Centro de Psiquiatria Servski, em Moscou, abriu uma linha telefônica especial de apoio às vítimas da crise, que funciona durante 24 horas por dia.
"Com esta ajuda esperamos explicar às pessoas que não há situações sem saída. Só existe um beco sem saída quando a pessoa já morreu", afirmou a diretora do centro, Tatiana Dmitrieva.
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