Após libertação de refém, Uribe se diz disposto a acordo com Farc
Após a libertação de um soldado em poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o presidente do país, Álvaro Uribe, anunciou estar disposto a aceitar um acordo humanitário com o grupo, segundo o qual reféns seriam trocados por guerrilheiros presos.
Uribe fez o anúncio após a bem-sucedida operação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), liderado pela senadora Piedad Córdoba, que permitiu resgatar o soldado Josué Daniel Calvo, 22, em um ponto da selva indicado para a missão pelas Farc.
"O governo facilitou as libertações, fez resgates e não se opõe ao acordo humanitário sempre e quando (...) não seja para devolver delinquentes às Farc", disse Uribe, ao insistir em que essa troca de reféns por presos não deve fortalecer a "capacidade criminosa" da guerrilha.
"Um acordo humanitário tem como condição que os integrantes das Farc que cheguem a sair da prisão não voltem a cometer delitos", disse, ao remarcar que não se trata de "fortalecer o terrorismo, mas de libertar os colombianos do 'pesadelo' das ações terroristas".
O presidente também se mostrou disposto a buscar um acordo de paz com as Farc, a guerrilha mais antiga da América, mas "de boa fé", e com uma prévia entrega das armas.
Uribe se expressou assim depois que a senadora Córdoba deixou claro que a libertação de Calvo e a do sargento Pablo Emilio Moncayo, prevista para a terça-feira (30), "serão as últimas", já que a partir de agora os 22 soldados ainda reféns só conseguiriam a liberdade através de uma troca.
Quase um ano depois que as Farc se comprometeram a entregar Calvo e Moncayo, a primeira fase da operação foi emocionante no reencontro do libertado com sua família.
Seu pai, Luis Alberto Calvo, e sua irmã Núbia abraçaram o soldado, que desceu do helicóptero brasileiro que o levou à cidade de Villavicencio ajudado por um apoio de madeira por causa de um ferimento na perna.
Manifestações
Entre os gritos "Sim à liberdade, não à guerra" e aplausos dos integrantes do Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP), o movimento liderado por Córdoba, Calvo caminhou pela pista do aeroporto em direção a uma sala especial na qual compartilhou alguns momentos com sua família.
O ex-refém trocou a camiseta que vestia na selva pelo uniforme militar de combate para comparecer depois perante a imprensa, mas sem dar declarações.
Foi seu pai que expressou palavras de agradecimento a Córdoba, ao CICV e ao governo.
"Ele chegou emocionado, ficou enjoado e vomitou no voo, pensávamos que ia estar em piores condições por causa dos ferimentos no tiroteio no qual o capturaram", explicou Córdoba, ao dar detalhes da operação que deu a liberdade ao soldado.
Resgate
Um dos dois helicópteros do Exército brasileiro que chegaram no sábado (26) a Villavicencio partiu nesta manhã rumo a um lugar desconhecido do centro da Colômbia, onde as Farc indicaram para a entrega do refém.
"Havia muita gente, muitos homens e mulheres da guerrilha, e o monsenhor (Leonardo) Gómez distribuiu escapulários", comentou a senadora da oposição colombiana.
Nesse local, os integrantes da missão humanitária, formada também por representantes do CICV e do CCP, foram convidados pelos guerrilheiros a comer uma leitoa assada e entregaram cartas e fotografias para os militares e policiais que ainda estão reféns.
"Não trazemos nada, nem provas de vida dos demais (sequestrados), só nosso amigo carpinteiro (um pássaro que foi presenteado à senadora) e a alegria de ter sido capazes de cumprir com esta tarefa", relatou.
Apesar das denúncias das Farc sobre voos militares na região da entrega dos reféns, a operação foi considerada bem-sucedida, e há agora expectativa pela libertação de Moncayo.
Livraria da Folha
- Box de DVD reúne dupla de clássicos de Andrei Tarkóvski
- Como atingir alta performance por meio da autorresponsabilidade
- 'Fluxos em Cadeia' analisa funcionamento e cotidiano do sistema penitenciário
- Livro analisa comunicações políticas entre Portugal, Brasil e Angola
- Livro traz mais de cem receitas de saladas que promovem saciedade
Um mundo de muros
Em uma série de reportagens, a Folha vai a quatro continentes mostrar o que está por trás das barreiras que bloqueiam aqueles que consideram indesejáveis

