Lula diz que chapa puro sangue com Serra e Aécio pode não dar certo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que a desistência do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), de disputar a Presidência em 2010 pode não ser definitiva e deve ter sido provocada pelo "jogo interno" do PSDB para que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), seja o candidato.
Lula disse ainda que a chapa puro sangue, reunindo os dois tucanos, pode ser prejudicial para o desempenho da oposição.
"Não sei. Eu acho que num time de futebol... não sei se dois coutinhos, se dois tostões, se dois Dirceus Lopes dariam certo no mesmo time. Não sei. Às vezes, é preciso fazer uma composição diferenciada para poder dar certo, então... mas aí o PSDB que decide."
Na avaliação do presidente, a saída de Aécio não provoca mudanças na estratégia do PT de polarizar as próximas eleições, comparando o projeto do seu governo e a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
As declarações do presidente foram feitas durante uma conversa informal com jornalistas. Lula disse que deve telefonar para Aécio após as comemorações do fim de ano.
"Acho que ele fez um gesto muito mais para dentro do PSDB, em função de que está percebendo que há um jogo para que o Serra seja o candidato. Não conversei com ele. Vou procurá-lo no início do ano que vem, vou conversar com o Serra na quarta-feira, quando estarei em são Paulo."
O presidente afirmou que não sabe se a decisão do governador mineiro pode ser revertida e que não muda nada para a pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). "Não sei se o Aécio explicitou, porque tomou essa decisão. Se é definitiva ou se é jogo de pressão eu não sei. Para a Dilma não muda muita coisa. Seja com Serra ou com Aécio, a estratégia montada vai ser a mesma. Nós queremos é uma campanha polarizada com dados comparativos dos dois governos", afirmou.
O governador de Minas anunciou na quinta-feira a desistência à pré-candidatura à Presidência. Ao ler a carta endereçada ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra, Aécio alertou para o perigo da eleição plebiscitária --defendida pelo PT.
Aécio também criticou a estratégia do PT de mostrar o país dividido entre ricos e pobres no último programa eleitoral veiculado em cadeia de TV.
"Devemos estar preparados para responder à autoritária armadilha do confronto plebiscitário e ao discurso que perigosamente tenta dividir o país ao meio, entre bons e maus, entre ricos e pobres. Nossa tarefa não é dividir, é aproximar. E só aproximaremos os brasileiros uns dos outros, através da diminuição das diferenças que nos separam", diz ele na carta.
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