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03/11/2009
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19h04
Não quero ser índia velha em Hollywood, diz Fernanda Montenegro à autora de livro
SÉRGIO RIPARDO "Não quero virar uma índia velha nos filmes de Hollywood". Foi o que Fernanda Montenegro, 80, disse à jornalista e crítica de cinema Neusa Barbosa, autora de biografia, para justificar sua recusa aos convites de trabalho no cinema norte-americano, após sua indicação ao Oscar, em 1999, pela atuação no filme "Central do Brasil", no qual interpreta a professora Dora, que escreve cartas ditadas por analfabetos na estação de trem. Em "Fernanda Montenegro: A Defesa do Mistério", o leitor descobre detalhes pouco explorados sobre a atriz, que acumula quase 60 anos de teatro e TV, 56 peças, 20 novelas, 16 filmes e centenas de teleteatros.
"Na época da ditadura militar, ela e o marido [Fernando Torres, que morreu em 2008] sofreram uma tentativa de atentado. Atiraram no apartamento deles", conta a autora à Livraria da Folha. Neusa diz que levou quatro anos para levantar o material e escrever o livro. Houve dificuldades para marcar entrevistas com Fernanda. "Ela é ocupadíssima. Ora está fazendo um filme, ora está fazendo uma novela." A autora enviou perguntas para a atriz. "Ela escreve a mão. Não é da geração da informática. Temos de respeitar o processo da pessoa." Além de contar sobre os bastidores de filmes em que a atriz participou, como "Eles Não Usam Black Tie" (1981), o livro traz diversas fotografias inéditas. Neusa conta que algumas imagens não possuem negativos, e ela teve de escaneá-las. "Peguei fotos dos avós e bisavós de Fernanda que estavam em porta-retrato na sala." Sobre a escolha do título "A Defesa do Mistério", a autora explica: "Fernanda tem um mistério que sabe defender muito bem. Ela é muito famosa, uma figura pública, mas seu núcleo íntimo ninguém penetra." Neusa afirma que Fernanda não é esnobe nem deslumbrada com a fama. "Ela recebeu muitos convites para trabalhar em Hollywood, mas não se deslumbrou com isso. Os papéis não eram compatíveis com a trajetória dela." Antes de Fernanda, uma atriz brasileira com projeção no mercado americano foi Sônia Braga, que fez papéis como prostituta, vampira e lésbica. Outra contribuição do livro para a memória do teatro brasileiro é esclarecer a saída de Fernanda e do marido do grupo de teatro de Maria Della Costa. "No livro, Fernanda faz uma declaração de afeto à Maria Della Costa e pede desculpas pela saída deles do grupo." Arlette O nome de batismo da atriz é Arlette Pinheiro Esteves da Silva. Ela escrevia programas culturais na Rádio MEC, onde passou a assinar Fernanda Montenegro. "Para mim, era um nome que tinha um certo humor dentro dele. Tinha alguma semelhança com Conde de Monte Cristo, contou a atriz à autora. Até o marido Fernando Torres só soube que ela era Arlette "no meio do caminho". Eles se casaram em 1953. Só a mãe e as irmãs continuaram chamando-a pelo nome de batismo.
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