São Paulo, domingo, 08 de abril de 2007

Próximo Texto | Índice

Painel

RENATA LO PRETE - painel@uol.com.br

A vez da segurança

Tarso Genro designou um grupo no Ministério da Justiça para elaborar, em 60 dias, um programa de segurança nacional. O ministro evita o clichê "PAC da Segurança" e diz que a idéia é integrar ações da área com os projetos sociais do governo.
O plano terá focos territorial, etário e social. No primeiro, as ações serão concentradas em "quatro ou cinco" regiões metropolitanas -Rio e São Paulo já estão na lista. No critério de idade a ênfase será nos jovens entre 11 e 19 anos. E no terceiro parâmetro a idéia é que as ações não se restrinjam às áreas de pobreza. De acordo com Tarso, serão tomadas medidas para coibir a criminalidade, ligada principalmente ao tráfico de drogas, entre a classe média.

Trinca. A elaboração do programa está nas mãos do secretário nacional de Justiça, Antonio Carlos Biscaia, do secretário nacional de Segurança, Luiz Fernando Corrêa, e do delegado da Polícia Federal Zaqueu Teixeira, assessor especial de Tarso.

Todos por um. Designados para analisar indicações políticas para ministérios e empresas estatais, os ministros Dilma Rousseff, Paulo Bernardo, Walfrido Mares Guia e Luiz Dulci estão sendo chamados por líderes aliados de "os quatro mosqueteiros".

Quem é quem. Líderes da base aliada não vão esperar impassíveis pela decisão dos ministros a respeito da nova distribuição de cargos. PP, PR, PMDB e PTB devem se reunir na terça-feira com a direção do PT para mapear os "padrinhos" dos que estão hoje alocados em suas pastas.

Mercado livre. A idéia, diz um pepista, é defenestrar os comissionados que não façam parte do "grupo que dá as cartas no PT". Em troca dos que tiverem cacife para ficar, os aliados querem receber contrapartidas em ministérios controlados por petistas.

Em casa. A disputa por vagas não é só interpartidária. Quem acompanha as discussões do PMDB diz que será quase impossível Jader Barbalho (PA) convencer o correligionário Geddel Vieira Lima (Integração) a aceitar a nomeação de seu afilhado José Priante para a nova Sudam.

Direitos iguais. Em campanha pela anistia de eventuais punições por conta do motim de 30 de março, os controladores de vôo dizem que os oficiais que abandonaram o comando dos Cindactas também têm de responder a inquéritos policiais militares.

Versão. Outra corrente dos controladores diz que, pela Constituição, o comandante supremo das Forças Armadas é o presidente. Como Lula, num primeiro momento, determinou negociação e descartou punições, não teria havido quebra de hierarquia.

Fumaça. A PF apura a informação de que Delúbio Soares pretende abrir um restaurante de comida goiana em São Paulo. Para os policiais, há indício de tentativa de lavagem de dinheiro -o ex-tesoureiro do PT não teria renda compatível com o negócio.

Estamos aí. Em jantar na semana passada, o deputado cassado José Dirceu recebeu reiteradas promessas do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), de que terá todo o apoio em seu projeto de anistia na Câmara.

Fusão 1. Dissidência do ex-Campo Majoritário -agora chamado de Construindo um Novo Brasil-, o grupo de petistas ligados à ministra do Turismo, Marta Suplicy, negocia um acordo com a corrente Movimento PT a fim de juntar forças para o 3º Congresso da sigla, em agosto.

Fusão 2. A união tem como objetivo evitar que os debates do Congresso petista sejam protagonizados apenas pelo ex-Campo Majoritário, associado a José Dirceu, e pelo grupo da "refundação", capitaneado por Tarso Genro.

Tiroteio

"Dentro do PAC, tem o PAP, que é Plano de Aceleração da Propaganda. O governo colocou este para funcionar antes".
Do deputado FERNANDO GABEIRA (PV-RJ) sobre a campanha publicitária do governo federal para promover seu plano de crescimento econômico. As veiculações em rádio e TV vão custar R$ 7,8 milhões.

Contraponto

Inofensivo

Na platéia da encenação da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém (PE), dias atrás, Lula teve a companhia de governadores e parlamentares da base aliada.
No primeiro ato da peça, Pôncio Pilatos faz entrada triunfal no palácio, onde é recebido com saudação:
-Atenção! Está chegando o governador da Judéia, Pôncio Pilatos!-, anuncia o arauto.
Sentado ao lado de Lula, o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), cochichou ao seu ouvido:
-Relaxe, presidente! Esse é o único governador aqui que não vai lhe fazer nenhum pedido.


Próximo Texto: Aumenta apoio à pena de morte entre os brasileiros
Índice



Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.