São Paulo, terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

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Sarney diz que grampo da PF "não tem nada"

Senador afirma estranhar reportagens sobre a gravação e acusa "Economist" de veicular "agressão pessoal"

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), minimizou ontem a divulgação de grampos telefônicos sobre conversas entre ele e seu filho Fernando Sarney -executivo que dirige as empresas da família e que está sendo investigado pela Polícia Federal.
Em sua edição de anteontem, a Folha transcreveu um telefonema entre o presidente do Senado e Fernando. Em uma escuta legal feita pela Polícia Federal, ambos aparecem discutindo o uso de duas empresas de comunicação da família, a TV Mirante (afiliada da Rede Globo) e o jornal "O Estado do Maranhão", para veicular denúncias contra rivais na política maranhense que integram o grupo do atual governador, Jackson Lago (PDT)
No sábado, o jornal "O Estado de S. Paulo" também publicou trecho de conversa entre o senador e seu filho empresário. No diálogo, Sarney questiona Fernando se ele havia recebido informações da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
"É uma conversa de pai para filho que não tem absolutamente nada, na qual estou recomendando a ele que se defenda", disse Sarney ontem, ao chegar a uma solenidade na Ordem dos Advogados do Brasil. "Inclusive nem me lembro de ter falado da Abin", declarou.
Fernando é o principal alvo da Operação Boi Barrica, que investiga movimentações financeiras suspeitas de empresas da família Sarney no período eleitoral de 2006. O grampo foi feito pela PF nos telefones de Fernando, que sacou R$ 2 milhões nos dias 25 e 26 de outubro daquele ano, três dias antes do segundo turno. O senador não é alvo do inquérito.
Sarney disse ter estranhado a publicação das reportagens na semana em ele que voltou a se eleger presidente do Senado. Ele já havia ocupado esse posto nos biênios 1995-1997 e 2003-2005. O presidente do Senado criticou sobretudo a revista "The Economist", que classificou sua eleição como uma "vitória do semifeudalismo".
"A matéria da "Economist" só fica ruim para ela. Porque é uma revista de magnitude e de prestígio, que foi fundada em 1843", disse o senador. "De maneira que nunca publicou uma reportagem de caráter de agressão pessoal, inclusive com muitas inverdades, até mesmo factuais", afirmou Sarney.


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