São Paulo, sábado, 10 de março de 2007

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Escolas que pagam mais têm melhor rendimento no Enem

Médias no exame entre as dez escolas de salário mais alto variam de 68 a 58 pontos numa escala que vai de 0 a 100

Diretora de colégio que lidera ranking diz que a alta remuneração na 4 série permite que a estabilidade do corpo docente seja maior

DA SUCURSAL DO RIO

As escolas que pagam os salários maiores aos professores no ensino médio têm, em comparação com as de pior remuneração, desempenho melhor no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), teste feito pelo MEC e que permite a comparação das notas entre colégios.
As médias no Enem entre as dez escolas de melhor salário variam de 68 (Santa Cruz) a 58 pontos (Rainha da Paz) numa escala de 0 a 100. Entre as dez com piores salários e avaliadas no exame, a variação é de 47 (Cidade Canção) a 56 pontos (Novo Alicerce).
Da mesma maneira que há uma discrepância grande nos salários, o Enem mostra também uma variação grande nas médias da rede privada. Em sua maioria, no entanto, o resultado é apenas mediano.
Das 412 escolas privadas avaliadas na capital, apenas 9% tiveram nota superior a 60. Outras 29% chegaram a ter desempenho inferior a 50. A maioria (62%) das notas concentra-se entre 50 e 60.

Escolas
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo, José Augusto Mattos Lourenço, diz que os dados divulgados pelo Sinpro (Sindicato dos Professores de São Paulo) são confiáveis e refletem a grande heterogeneidade do setor privado.
"Nas escolas de elite, os professores têm muito tempo de casa e conseguiram acumular melhorias no salário", afirma Lourenço.
Segundo ele, muitos colégios têm também preferência por profissionais com titulação de mestre ou doutor.
"Nas escolas menores, principalmente as que atuam na periferia, a realidade é outra e elas não têm condições de pagar mais que o piso porque não podem elevar demais suas mensalidades", ressalta o presidente do sindicato.
Na avaliação de Mariana Battaglia, diretora-geral do colégio Visconde de Porto Seguro, o fato de pagar salários bem acima da média do mercado -a escola lidera o ranking de maiores rendimentos do sindicato até a quarta série- permite à instituição selecionar seus profissionais com mais critério.
As mensalidades do Porto Seguro variam de R$ 1.015 na educação infantil a R$ 1.305 no ensino médio.
Outras vantagens da alta remuneração em comparação com as demais escolas, de acordo com a diretora, são garantir uma maior estabilidade ao corpo docente e também mais tempo para que possa se dedicar exclusivamente à escola.
"A rotatividade profissional no colégio é muito baixa, o que dá estabilidade à proposta pedagógica. A boa remuneração permite também que a maioria do nosso corpo docente tenha horário de trabalho ampliado no colégio, o que estreita os vínculos, confere mais qualidade ao planejamento e favorece o trabalho em equipe."
Mariana Battaglia ressalta ainda que um salário mais elevado "facilita o aprimoramento cultural e profissional por meio de livros, congressos, viagens, teatro e outros eventos culturais que exigem investimento financeiro".
No outro extremo, na escola Rumo Certo -um dos menores salários de 1 à 4 série-, a diretora Eliane Alves confirmou que paga o piso salarial aos professores. Ela afirma, no entanto, que o piso é maior do que os R$ 640 em vigor durante o ano letivo de 2006.
"Hoje esse valor é um pouco maior que R$ 650", disse ela à Folha por telefone.
A direção do colégio Cidade Canção -na lista dos menores salários de 5 à 8 séries e no ensino médio- informou, por e-mail, que os valores que estão no ranking do Sinpro "não correspondem aos praticados pela instituição".
De acordo com o colégio, o valor que é pago para o professor no ensino fundamental é de R$ 8,43 por hora de aula de 5 à 8 série (no ranking do sindicato, consta R$ 8,12) e de R$ 9,69 no ensino médio (no ranking ele é de R$ 8,43).


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