São Paulo, segunda-feira, 26 de maio de 2008

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Negócios do mercado futuro no Brasil avançam 81% neste ano

DA REDAÇÃO

O avanço dos fundos no mercado futuro de produtos agrícolas ocorre também no Brasil, um dos maiores produtores mundiais de alimentos.
As operações na Bolsa de Mercadorias & Futuros registram, nos quatro primeiros meses deste ano, crescimento de 81% no volume financeiro agropecuário em relação a igual período de 2007.
A expansão das negociações futuras neste mercado por aqui foi de 64% no ano passado, taxa bem acima dos 25% da média mundial. Apesar disso, os investimentos em aplicações agrícolas ainda representam apenas 0,6% do total das negociações da BM&F, abaixo dos 4% da média mundial.
Mas o crescimento das negociações agrícolas no Brasil não se reduz à participação dos fundos, que aparecem no mercado quando cresce a liquidez -ou seja, quando aumentam os participantes nessas negociações.
Segundo Ivan Wedekin, diretor de Produtos do Agronegócio e Energia da BM&F, o agronegócio deslancha no Brasil e o setor busca cada vez mais proteção para seus negócios, principalmente devido à volatilidade dos preços.
A Bolsa tem hoje uma participação maior de frigoríficos, cooperativas, indústrias etc.
O aumento dos participantes do mercado físico agrícola eleva o movimento na Bolsa e atrai também bancos e fundos. Esses novos participantes dão maior liquidez à Bolsa, permitindo aos investidores melhor entrada e saída do mercado.
Wedekin diz que os fundos sempre operaram nos contratos agrícolas. "Eles [os fundos] não comem milho nem soja nem usam álcool no carro; apenas potencializam os efeitos que vêm do mercado real." Quem cria os mercados são os "hedgers" naturais (cooperativas, produtores, traders, exportadores)."
No ano passado, a Bolsa negociou o correspondente a 3,4 safras de café e a 2 vezes as exportações brasileiras de carnes. Milho e soja, que antes tinham pouco movimento, têm agora negócios que representam 10% da produção nacional.
Diante do potencial do agronegócio brasileiro, os estrangeiros já representam 17% dos negócios das operações na BM&F e em alguns produtos eles têm a participação de 30% das posições em aberto.

Queda dos juros
A participação dos fundos de investimento nas negociações do mercado futuro de agrícolas pelo mundo vem crescendo desde o início da década, quando o governo norte-americano reduziu a taxa de juros.
As aplicações de renda fixa ficaram menos atraentes e essas instituições foram buscar riscos em outros investimentos.
Além da redução dos juros nos Estados Unidos, os fundos perceberam que a China sinalizava com demanda forte, o que os levou para as commodities -principalmente ouro, petróleo e minérios, afirma Victor Abou Nehmi Filho, gerente da Sparta, administradora de fundos de investimento.
Mais recentemente, os desajustes entre oferta e demanda de alimentos -evidenciados ainda mais pela elevação de renda nos países emergentes- abriram novo mercado para esses fundos, que passaram a atuar de forma mais agressiva nos agrícolas, principalmente grãos negociados em Chicago.
Os números do milho mostram os sinais desses fundos nas negociações em Chicago. No início da década, eram negociadas 3,5 safras por ano. Em abril, esse volume era de 1,5 safra, atingindo 10 safras nos últimos 12 meses.
(MZ)


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