São Paulo, sexta-feira, 16 de julho de 2004

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TÊNIS

Disputa política faz país escalar teens em confronto na Venezuela que pode deixá-lo a um passo da 3ª divisão da Davis

"Brasil do futuro" joga para estancar crise

FERNANDO ITOKAZU
DA REPORTAGEM LOCAL

"Este é o futuro do tênis do Brasil", disse Ricardo Pereira para a mídia venezuelana ao ser questionado sobre os tenistas que representam o país na Copa Davis.
O capitão da equipe, que também estréia na competição, escalou Diego Cubas (18 anos e 1.102º do ranking), Bruno Rosa (18 e 1.124º), Caio Zampieri (18 e 1.153º) e Raony Carvalho (17 e 1.445º) para pegar a Venezuela, de hoje a domingo, em Caracas.
"Tanto nós, da comissão técnica, como os jogadores vamos dar um salto de dois ou três anos na nossa carreira", declarou Pereira, 36, cujo tenista mais bem colocado é Alessandro Camarço, 487º do ranking mundial.
O confronto, em quadra dura, vale pelo playoff do Zonal Americano, a segunda divisão da Davis.
O vencedor assegura permanência em 2005. Quem sair derrotado precisa lutar contra o rebaixamento em confronto, em setembro, com o perdedor da disputa entre Equador e Peru.
A precocidade do futuro do tênis brasileiro surge em um momento delicado no mais importante torneio entre países por causa de uma disputa política.
Descontentes com a atuação do presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Nelson Nastás, os principais tenistas do país, liderados por Gustavo Kuerten, decidiram boicotar a competição.
A história do tricampeão de Roland Garros na Davis dá bem a dimensão de como a atual equipe atua de forma prematura.
Guga disputou sua primeira partida mais velho, aos 19 anos. Mas, mais significativo do que a idade, foi a experiência que ele já havia acumulado e a forma como se deu o seu batismo.
Sua estréia aconteceu em duplas contra os chilenos, ao lado de um parceiro já com bastante rodagem, Jaime Oncins.
O primeiro jogo de simples de Kuerten também foi contra os venezuelanos, mas aconteceu no Brasil (Santos), e na época o brasileiro já era o 169º do mundo.
Por causa das condições, o próprio capitão do Brasil já admitiu que uma vitória diante dos venezuelanos é improvável.
"O grupo todo já assimilou que tem que jogar solto, sem responsabilidade, mas dando o máximo o tempo todo", afirmou Pereira.
Se a previsão se confirmar, o cenário é ruim para o Brasil. Tanto Equador como Peru contam com jogadores mais bem colocados no ranking do que a Venezuela.
Os jogadores não parecem dispostos a recuar, e o presidente da CBT já demonstrou a intenção de permanecer no cargo até o final de seu mandato, em dezembro.
No primeiro confronto sem os principais tenistas, em abril, contra o Paraguai, na Costa do Sauípe, Nastás conseguiu montar uma equipe B, com o compromisso de que deixaria a CBT em maio.
A promessa não foi cumprida. O dirigente, envolvido em uma série de denúncias, marcou uma nova data para sua retirada: 2 de julho. Novamente, o acordo foi desconsiderado, e a comissão técnica e os jogadores que atuaram em abril se recusaram a voltar a defender o Brasil.
Sem alternativa, Nastás adotou uma nova postura. "Estamos trabalhando dentro de uma nova filosofia em Copa Davis. A vez agora é dos garotos", afirmou.


NA TV - Sportv, ao vivo, a partir das 11h30


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