São Paulo, domingo, 19 de fevereiro de 2006

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FUTEBOL

Libertem os árbitros

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

O árbitro de futebol é um pobre coitado que nasceu para ouvir sua mãe (a outra, a que ele leva para o estádio) ser xingada ou, mais recentemente, para ter seu nome mudado, porque todos passaram a ser chamados de edílsons.
Ninguém merece, fora o próprio Edílson Pereira de Carvalho.
Na verdade, os únicos defensores dos árbitros são os ex-árbitros que comentam arbitragens.
É compreensível.
Não só porque eles conhecem as dificuldades, como é natural que torçam por boas atuações.
O que, é claro, não lhes dá o direito de, mesmo com o privilégio do repeteco, distorcer a realidade.
Mas, por aqui, parece claro um esforço desde o último escândalo que manchou o Campeonato Brasileiro passado no sentido de minimizar os erros de arbitragem. Mesmo os mais escandalosos, como os que vitimaram o América na decisão da Taça Guanabara, no domingo passado.
Uma coisa é aceitar que o trio não tenha visto a bola do Santos que entrou no gol do Corinthians.
Outra, inaceitável, é negar o pênalti cometido pelo Botafogo.
Mesmo que 24 horas depois, como no caso, o comentarista Arnaldo César Coelho tenha admitido que errou.
Mas também é compreensível.
Na cega insistência em tirar a gravidade do erro no gramado, acaba-se por defender o simplesmente indefensável.
As soluções são conhecidas, e as mais reivindicadas são a arbitragem eletrônica e a profissionalização dos árbitros, duas medidas necessárias, mas insuficientes, caso não se dê autonomia aos departamentos de arbitragem.
Porque, como se viu no caso da decisão da Taça Guanabara, sem independência, até mesmo os que porventura vierem a ser escalados um dia, no futuro, para analisar as imagens e dirimir dúvidas poderão negar o videoteipe -que é burro, como já dizia Nelson Rodrigues em sua genial teimosia.
Mas é curioso como nem mesmo os árbitros levantam tal bandeira. Bandeiraça, diga-se de passagem, não bandeirinha...
E também tem explicação.
A subserviência é tamanha, que nenhum deles tem peito para tal, convencidos de que seriam imediatamente postos na geladeira.
Daí preferirem lutar contra o sorteio, instrumento que não resolve o problema, mas, ao menos, dá menos tempo para armações (vide o "caso Edílson", que tinha de negociar apressadamente os resultados que manipularia, até mesmo no vestiário, antes de o jogo começar).
Enfim, consolemos nos. Até agora, discute-se nos Estados Unidos a última decisão do futebol americano, sendo quase unânime que até a arbitragem eletrônica errou num lance de gol, aquele que vale seis pontos, o tal do "touchdown", e voltou à baila a necessidade da profissionalização dos árbitros.
Verdade, também, que lá não se desconfia da honra dos envolvidos, o que não é pouca coisa.
Tudo bem que tudo isso parece o velho clamar no deserto, ainda mais quando alguns meios de comunicação buscam esconder os erros embaixo do tapete verde.

A seleção
Carlos Alberto Parreira convocou para o amistoso de 1 de março contra a Rússia e sinalizou quem vai para a Copa do Mundo da Alemanha, que começa em junho, e quem não vai. Está certo em apostar em Dida, Cafu e Roberto Carlos, que é quem mais preocupa. Mas, ausências podem ser lamentadas. Esta coluna chora pela falta dos Alex (o zagueiro e o meia) e do lateral-esquerdo Júnior, por ver, entre os três, dois possíveis titulares: o zagueiro Alex e Júnior. Nada contra Ricardinho. Mas, já conformado com Lúcio, rezarei para que ele e Cris não precisem jogar juntos uma partida no mata-mata do Mundial. E Gustavo Nery é outra temeridade, dada a sua cabeça confusa e seus repentes de trombadão. Já imaginou uma defesa formada com Cicinho, Lúcio, Cris e Gustavo Nery?! Não haverá Emerson e Zé Roberto que dêem jeito.

e-mail: blogdojuca@uol.com.br


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