São Paulo, domingo, 07 de outubro de 2007

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Convidado, Lula deve ir a cúpula sobre conflito árabe-israelense

Reunião não tem data confirmada; convite foi feito por Abbas e Bush em setembro

ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA

É bastante provável que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participe da reunião de cúpula sobre o conflito palestino-israelense, a pedido tanto do presidente norte-americano, George W. Bush, quanto do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Nem a data nem o local estão oficialmente definidos, pois a organização da cúpula vem esbarrando em precondições contraditórias tanto de Israel quanto dos países árabes.
Abbas teve encontros paralelos com Bush e com Lula em Nova York, onde todos estiveram em setembro passado para a abertura da Assembléia Geral da ONU. Ele pediu a Bush que convidasse Lula para a cúpula e foi ao próprio Lula fazer o convite diretamente.
Na mesma viagem, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também teve reuniões à parte com a chanceler Tzipi Livni, de Israel, que Lula pretende visitar em 2008. Também se encontrou com os colegas do Egito e da Síria.
No Planalto e no Itamaraty avalia-se que o presidente brasileiro não poderia recusar um convite para integrar um esforço internacional pela paz no Oriente Médio, especialmente porque há anos reivindica uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Lula vai em novembro ao Haiti, que Bush também visitará em data ainda a definir. Se a cúpula sobre o Oriente Médio for no mesmo mês nos EUA, ele pode emendar a viagem. Nesta semana, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, terá encontros com Abbas e o premiê israelense, Ehud Olmert, em mais uma tentativa de fechar o programa da reunião.
O governo brasileiro tem sido ostensivo na sua aproximação com o mundo árabe e promoveu em Brasília, em 2005, uma polêmica reunião de cúpula entre países árabes e da América do Sul.
Na visão do Itamaraty, o convite feito a Lula nada mais é do que o reconhecimento de que o Brasil está ampliando sua influência nas questões internacionais e tende a ser progressivamente chamado para discussões do porte dessa, sobre a questão palestino-israelense.


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