São Paulo, segunda-feira, 22 de novembro de 2010

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GENÉTICA

Genes podem refletir mudanças na vida

Por BENEDICT CAREY
Durante décadas, pesquisadores vasculharam a genética de pessoas com doença mental, procurando variações comuns que se combinam para causar condições como esquizofrenia e distúrbio bipolar. E, embora essas doenças possam envolver perturbações genéticas, não surgiram padrões subjacentes.
Por isso, os cientistas estão recorrendo a um campo emergente: a epigenética, o estudo de como a experiência e o ambiente das pessoas afetam a função dos genes.
Muitos genes carregam anexos químicos: substâncias que atuam sobre a molécula de DNA que regula quando, onde ou quanta proteína é fabricada, sem alterar a receita. Estudos sugerem que esses marcadores adicionais, ou epigenéticos, se desenvolvem conforme o animal se adapta a seu ambiente, seja no útero ou no mundo -e os marcadores podem afetar profundamente o comportamento.
Em estudos com ratos, pesquisadores demonstraram que uma mãe carinhosa modifica a expressão dos genes, permitindo que eles atenuem sua reação fisiológica ao estresse. Esses amortecedores biológicos são transmitidos para a próxima geração: roedores e primatas não humanos biologicamente preparados para lidar com o estresse tendem a ser mais carinhosos com seus descendentes, e considera-se que o sistema funcione de maneira semelhante em seres humanos.
Os marcadores epigenéticos podem da mesma forma prejudicar o desenvolvimento normal: os descendentes de pais que passam fome têm um risco acentuado de desenvolver esquizofrenia. Outro estudo recente encontrou evidências de que, em algumas pessoas com autismo, os marcadores epigenéticos tinham silenciado o gene que faz o receptor do hormônio oxitocina. A oxitocina lubrifica os circuitos sociais do cérebro. Um cérebro com poucos receptores para ela, provavelmente, teria dificuldades sociais.
Pelo menos um grupo de pesquisadores afirma que os marcadores químicos ajudam a resolver uma concorrência biológica entre genes maternos e paternos no feto. Na visão tradicional da reprodução, os genes da mãe e os do pai funcionam em colaboração. Mas uma nova teoria afirma que os genes estão em competição. Se o sistema estiver defeituoso, e o desenvolvimento cerebral se inclinar com muita força para o pai, um resultado pode ser o autismo, sugerem cientistas; forte demais na direção da mãe e a criança pode desenvolver distúrbios de humor.
Em um estudo de pessoas com esquizofrenia, pesquisadores da Universidade Johns Hopkins estão analisando o sangue e outros dados para ver se o grau de variação epigenética está relacionado ao risco herdado de desenvolver a doença. Outros pesquisadores tentam determinar se áreas do genoma que mostram alterações epigenéticas podem ajudar a descobrir genes subjacentes que contribuem para distúrbios mentais.


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