São Paulo, sexta-feira, 22 de julho de 1994
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Tetratrambiqueiros; Solidariedade a Romano; Emendas eleitoreiras; Compra de dólares; Wisnik e a música circense

Tetratrambiqueiros
"Existe uma propaganda na TV que fala no 'nascimento de um novo Brasil', fruto do otimismo generalizado pela conquista da Copa. Mal inicia-se essa 'nova era' e seus principais agentes deixam bem claro quais serão suas características: o trambique. Preferiu-se deixar a coisa correr, ou melhor, a moamba entrar (não deixando de dar o bom exemplo, já que tanto se fala em transparência hoje em dia, de mostrar tudo pela TV ao vivo e em cores). Lembro-me que, quando o rei da Suécia nos visitou, fez vários elogios à nossa caipirinha. Ao voltar, recebeu a homenagem de um amigo que o presenteou com duas caixas de pinga, para que ele não se esquecesse de nós. O rei agradeceu e desculpou-se por levar apenas uma garrafa. 'Se eu levar mais que uma garrafa de bebida alcoólica na bagagem, terei dificuldades em minha alfândega'. Esses dois fatos deixam bem claro que, apesar de termos empatado e depois vencido os suecos no gramado, em termos de civilidade e cidadania, para superá-los, ainda vamos ter que esperar muito tempo."
Júlio Medaglia, maestro (São Paulo, SP)

"Não há tetra que apague a hipocrisia deste país. Valeu, Osiris Lopes. Você é patriota. Estamos com você."
Jorge C. Filho (Uberlândia, MG)

"Quero parabenizar a cobertura da Folha na Copa do Mundo e destacar os artigos da edição de ontem, sob os títulos 'Os heróis viraram sonegadores' e 'Tetra e o capo'. Existe uma unanimidade da opinião pública de que a seleção deveria ter pago os impostos."
Marcos Falcão (Rio de Janeiro, RJ)

"Enquanto milhares de brasileiros comemoravam a conquista do tetra, na calada da noite da última quarta-feira os cofres da Receita Federal deixavam de arrecadar mais de US$ 1 milhão."
Erasmo Emidio de Luna (Cubatão, SP)

"Na qualidade de grande admirador do ministro Ricupero, gostaria que me informasse em que 'dispositivo legal' ele se baseou para dar o telefonema liberando de vistoria a bagagem da comitiva do tetra, conforme noticiado na televisão. Até tu Brutus?"
Estevam E. Koenigsfeld (São Paulo, SP)

"O ministro Rubens Ricupero oficializou a mamata já institucionalizada no Brasil ao liberar, sem vistoria, a bagagem dos representantes da CBF."
Julio Puig (São Paulo, SP)

"O presidente Itamar e o ministro Ricupero devem explicações à nação."
Ana Maria Morales Crespo (São Paulo, SP)

"Gol contra do presidente Itamar Franco e do ministro Ricupero."
Vicente Limongi Netto (Brasília, DF)

"Como nós pretendemos ter leis e instituições avançadas, se ao primeiro 'você sabe com quem está falando?' essas mesmas leis são relaxadas?"
Gilberto Rios (São Paulo, SP)

"Devemos também reconquistar o hábito de exigir o cumprimento da lei em qualquer circunstância."
Marcelo José de Souza (São Paulo, SP)

"Médica e pesquisadora, trabalho na universidade em tempo integral e com dedicação exclusiva. Certamente, durante toda minha vida não ganharei o que os nossos heróis do tetra ganharam em alguns meses de trabalho. Nunca tive o privilégio de ter minha bagagem liberada com tanta facilidade e permissividade pela Receita."
Thais H. A. Thomaz Queluz (Botucatu, SP)

"Decidi ser jogadora de futebol. Não terei que pagar mais impostos."
Lilian Viviane Ferracini (São Paulo, SP)

"O exemplo dos melhores do futebol brasileiro é vergonhoso."
Marilu André (São Paulo, SP)

"Se eles são o exemplo a ser seguido pelo Brasil, mais uma vez pobre do nosso país, sem heróis e sem leis."
Antonio Carlos Lamberti Jayer (São Paulo, SP)

"A Secretaria da Receita Federal deveria ter cumprido com seu dever."
Jaime Menezes (Recife, PE)

"O Brasil, infelizmente, é um país de dois pesos e de duas medidas."
Marta Ew (Porto Alegre, RS)

Solidariedade a Romano
"A Associação dos Docentes da Unesp vem manifestar sua irrestrita e absoluta solidariedade ao professor Roberto Romano face ao processo que lhe vem movendo o deputado Roberto Cardoso Alves (PTB-SP), considerando que é fundamental e próprio de democracia o direito à livre manifestação do pensamento e à crítica."
Sueli Guadelupe de Lima Mendonça, presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual Paulista –Unesp (São Paulo, SP)

Emendas eleitoreiras
"Solicito que seja retificada matéria publicada no dia 13/07, intitulada 'Congresso não corrige vícios do Orçamento –as emendas eleitoreiras ao Orçamento'. A emenda por mim apresentada visa tão-somente alocar recursos para o projeto que é do maior interesse social, que tem como objetivo a implantação de um plano de resistência à seca na região do semi-árido do Piauí, através de acumulação dos recursos hídricos, com a construção de pequenas barragens, que beneficiará tanto a população urbana, com a regularização do abastecimento d'água, quanto a região rural, que poderá desenvolver através de projetos de irrigação a agricultura e a pecuária, fixando o homem no campo. O valor publicado não corresponde à realidade."
Átila Lira, deputado federal pelo PFL-PI (Brasília, DF)

Resposta do jornalista Lúcio Vaz – O valor da emenda, divulgado pela Folha, consta dos arquivos do Prodasen e da Comissão Mista de Orçamento. O Prodasen alega erro de preenchimento da emenda. De resto, a apresentação de emendas ao Orçamento da União para a construção de obras como pontes, escolas e açudes atende aos interesses da clientela política dos parlamentares. Um dos problemas detectados pela recém-concluída CPI do Orçamento foi a pulverização dos recursos públicos em pequenas obras.

Compra de dólares
"A propósito da reportagem 'Ação dos lobbies pode modificar a MP do real' (edição de 12/07) da Folha, observo: 1) as corretoras não tem exclusividade nas operações de compra e venda do dólar e 2) essa atribuição é do sistema bancário, cabendo às corretoras a prestação de serviços de intermediação, em regime concorrencial."
Alberto Alves Sobrinho (São Paulo, SP)

Wisnik e a música circense
"Na Folha do dia 3/07, o músico José Miguel Wisnik, ao descrever sua trilha sonora para uma peça infantil, declara que quer ficar longe da música 'infantilizada, do tipo circense'. Para que a santa música circense em vão? Existem outras palavras que possam vir a nomear essa música débil e debilizante que grunhem no tal mercado de consumo infantil, mas não é circense! Você já teve o privilégio de sentir os efeitos físicos que uma banda de circo, ao vivo –pois a verdadeira música circense é ao vivo– nos provoca?"
Verônica Tamaoki (São Paulo, SP)

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