São Paulo, sexta-feira, 16 de fevereiro de 1996 |
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Turma de Quentin Tarantino é a única a rir em "Grande Hotel"
AMIR LABAKI
Direção: Allison Anders, Alexander Rockwell, Robert Rodriguez e Quentin Tarantino Elenco: Tim Roth, Madonna, Antonio Banderas, Bruce Willis Estréia: hoje, nos cines Cinearte 1, Arouche A e circuito "Grande Hotel" é um filme entre amigos. Reúne quatro episódios assinados por destaques da nova geração de diretores independentes americanos: Quentin Tarantino, Robert Rodriguez, Alexander Rockwell e Allison Anders. Tudo se passa num decadente hotel de Los Angeles. Um azarado mensageiro chamado Ted (Tim Roth, mais careteiro que Jim Carey) é o personagem de ligação entre as histórias. Mas "Grande Hotel" é a pior das comédias: aquela que parece ter provocado risos apenas na equipe que a produziu. Um histrionismo pesado e artificial perpassa todos os episódios, soterrando suas diferenças. O primeiro, "Estranha Poção", de Andres, filma uma reunião de bruxas, lideradas por Madonna, num improvável misto de "A Família Addams" e "A Feiticeira". Ted é aqui seduzido por uma bruxinha atrás de um pouco de sêmen para uma fórmula. O mensageiro torna-se então "O Homem Errado", episódio de Rockwell, em que é confundido com o amante da mulher de um desequilibrado, que mantém os dois na mira de seu revólver. Difícil mais "déjà vu". Então Ted é contratado como babá do casal endiabrado de filhos de um gângster latino (Antonio Banderas). É "Os Pestinhas", de Rodriguez, a variação à moda desenho animado da fórmula. Por fim, cheio de tudo, o mensageiro atende o último chamado em "O Homem de Hollywood". É a mais despudora homenagem de Tarantino a si mesmo. Ele faz o protagonista, o mais quente cineasta da estação, que aposta seu carro de estimação contra o dedo mindinho de um amigo. A câmera irriquieta, o diálogo palavroso, o referencismo pop, Bruce Willis, tudo faz lembrar um possível esquete de "Pulp Fiction" -sem o frescor e a coesão do original. Nada salva mesmo "Grande Hotel". Texto Anterior: Andy Garcia assume papel do herói-vilão Próximo Texto: Pânico da imigração habita futuro fantasiado em 'Assassinato Virtual' Índice |
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