São Paulo, quinta, 1 de maio de 1997.

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TÍTULOS SOB SUSPEITA
Corretora investigada pela CPI dos Precatórios depositou R$ 35,96 mil na conta de Prisco Paraíso
Assessor de Paulo Afonso recebeu da Fator

da Sucursal de Brasília


O secretário da Fazenda de Santa Catarina, Paulo Prisco Paraíso, recebeu no ano passado, quando era assessor direto do governador Paulo Afonso Vieira, R$ 35,96 mil em cheques da corretora Fator, integrante da cadeia de negociações com títulos investigada pela CPI dos Precatórios.
As cópias dos cheques foram divulgadas pela CPI, que começou ontem a analisar os primeiros dados resultantes da quebra do sigilo bancário, telefônico e fiscal de secretários estaduais da Fazenda.
Prisco Paraíso recebeu pouco menos da metade do lucro obtido pelo Banco Fator (controlador da corretora) em operações de compra e venda de títulos de Santa Catarina, de R$ 72,83 mil.
Os cheques foram depositados nos dias 31 de outubro (R$ 11,61 mil) e 1 de novembro de 1996 (R$ 24,35 mil). Os títulos do Estado haviam sido negociados pela ``cadeia da felicidade'' pouco antes, nos dias 24 e 29 de outubro.
Na época, a principal função de Prisco Paraíso no governo catarinense era captar recursos para o Estado. Ele foi o principal articulador da emissão de títulos com o alegado objetivo de pagar precatórios (dívidas judiciais).
``É o primeiro deslize de uma série de operações que foram muito bem montadas'', disse o senador Vilson Kleinubing (PFL-SC), ao comentar a descoberta.
Kleinubing evitou se referir aos cheques como ``provas'' de envolvimento do secretário. ``É uma situação estranha que precisa ser explicada. Pode ser coincidência. Ele (Paraíso) pode dizer que prestou assessoria para o Fator no intervalo de seu trabalho'', disse o relator da CPI, Roberto Requião.
Requião afirmou ainda que os cheques serão encaminhados à CPI da Assembléia Legislativa catarinense, que também investiga irregularidades com os títulos.
Com minoria na Assembléia, o governador Paulo Afonso está sob a ameaça de um impeachment.
A quebra do sigilo do secretário revelou que parte do dinheiro recebido do Fator foi repassado para uma agência de turismo de Florianópolis, a Ilhatur. Um cheque de R$ 19,79 mil foi emitido para a agência no dia 19 de dezembro.
Requião afirmou ontem que seu relatório parcial -com as denúncias sobre irregularidades cometidas por governadores, prefeitos e secretários- ficará pronto somente entre os dias 25 e 30.
Os capítulos referentes a cada Estado e município investigado serão discutidos em reuniões fechadas da comissão e só então enviados para os governadores e prefeitos, que terão prazo para contestar as denúncias. (DANIEL BRAMATTI, OSWALDO BUARIM JR. e ALEX RIBEIRO)

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