São Paulo, quinta, 1 de maio de 1997.

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OUTRO LADO
Paraíso diz que tinha ação

CARLOS ALBERTO DE SOUZA
em Porto Alegre

O secretário da Fazenda de Santa Catarina, Paulo Prisco Paraíso, disse ontem que os cheques em seu favor descobertos pela CPI dos Precatórios resultam de uma aplicação particular sua em ações.
Segundo Paraíso, ele investiu cerca de R$ 30 mil em ações da Telepar (Telecomunicações do Paraná) e da Eletrobrás e a administração dos papéis ficou a cargo da Fator.
Os dois cheques achados pela CPI são, conforme o secretário, resultado do lucro que ele obteve com o negócio no mercado financeiro.
Paraíso disse que os valores constam de sua declaração ao Imposto de Renda, entregue por ele, ontem, via Internet.
Ele disse ter recebido, em sua conta no banco BCR (Banco de Crédito Real), um cheque de R$ 11.614,13, em 31 de outubro, e outro de R$ 24.351,19, em 1 de novembro de 1996.
Paraíso afirmou ter determinado à Fator a venda das ações, em outubro de 96, porque queria visitar um irmão em Miami (EUA) e se preparar para as despesas do Natal.

Moleques
O secretário chamou de ``moleques e irresponsáveis'' os senadores que fizeram ``a denúncia bombástica'' contra ele. Paraíso tomou conhecimento da divulgação dos cheques no início da noite.
Ele disse que se reuniria com seus advogados para estudar a hipótese de mover um processo judicial contra integrantes da CPI. ``Por causa dessa postura moleque e leviana, a CPI está caindo no descrédito junto à opinião pública.''
Para Paraíso, a CPI está tentando comprometê-lo, mas não consegue encontrar nenhum fato concreto que desabone sua conduta.
Ele disse que a Fator não foi compradora primária de títulos emitidos pelo Estado.
Quando teve quebrado seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, Paraíso disse que encarava a medida com ``respeito e tranquilidade'', pois julgava o procedimento legal e rotineiro em uma investigação.

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