São Paulo, sábado, 01 de dezembro de 2001

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RUMO A 2002

Objetivo é evitar a escolha de candidatos corruptos ou que não tenham compromisso com o desenvolvimento social

Igreja quer voto em política oposta à atual

Sérgio Lima/Folha Imagem
À esq., o presidente da CNBB, dom Jayme, ao lado do secretário-geral da entidade, dom Raymundo


DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A campanha de orientação do eleitor que será promovida pela Igreja Católica em 2002 vai recomendar a escolha de candidatos comprometidos com uma política econômica oposta à atual, que "privilegie os investimentos sociais e a distribuição de renda".
""Cabe redirecionar a atual política econômica, voltada para o serviço das dívidas interna e externa, em detrimento dos investimentos sociais", diz o documento com propostas de reflexão ao eleitor, aprovado no encerramento da 48 reunião do Conselho Permanente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
A entidade pretende deflagrar a campanha no próximo ano, na tentativa de evitar a escolha, em outubro de 2002, de candidatos corruptos ou que não tenham compromissos com o desenvolvimento social do país.
No documento, a CNBB critica a atual política econômica e prega ""inversão de prioridades" no uso dos recursos federais, estaduais e municipais, privilegiando investimentos em educação, saúde, moradia e segurança.

Dívida externa
A CNBB defende a diminuição da dependência do país em relação ao capital externo, a realização de uma auditoria da dívidas externa e interna e uma revisão dos acordos assinados pelo governo com o FMI (Fundo Monetário Internacional).
A proposta de realizar uma auditoria na dívida externa foi aprovada em um plebiscito promovido pela CNBB entre os dias 2 e 7 de setembro do ano passado.
Votaram 6.030.329 eleitores, dos quais 93,6% opinaram que o Brasil deveria romper seu acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), e 95,6% disseram que o país não deveria continuar pagando a dívida sem antes fazer uma auditoria.
O plebiscito foi duramente criticado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro Pedro Malan (Fazenda).

"Escolher bem"
O documento será distribuído a todas as dioceses, que serão orientadas a utilizar cartilhas, cartazes, debates e programas de rádio, entre outras iniciativas, para esclarecer o eleitor. O presidente da CNBB, dom Jayme Chemello, disse que o eleitor deve ser orientado a ""escolher bem, para depois não ser ludibriado".
Segundo a CNBB, devem ser escolhidos candidatos com comportamento ético e compromisso com a distribuição de renda, a reforma agrária, a geração de empregos, a erradicação da fome e o respeito aos direitos humanos.
""A maioria do povo não conhece os candidatos. Podemos subsidiar o eleitor com informações para que ele vote bem, não vote em candidatos corruptos e vote com consciência e não em troca de qualquer coisa que lhe derem, como ainda acontece hoje", disse dom Jayme.
O secretário-geral da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis, lembrou que, segundo pesquisas de opinião pública, a maioria dos católicos condena uma atuação direta da igreja na política partidária, mas quer que ela ajude os eleitores a fazer uma boa escolha. ""A eleição é um momento único para que o cidadão comum exerça influência decisiva nos rumos do país", afirmou.
Embora não pretenda fazer política partidária, a CNBB adota um discurso oposicionista no documento. Diz que as desigualdades sociais foram aprofundadas com a ""submissão do país ao processo de globalização neoliberal" e que ""maus políticos" utilizam a fome para se manter no poder.


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