São Paulo, sábado, 09 de setembro de 2006

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Ministra vê desespero em carta de FHC

EDUARDO SCOLESE
ENVIADO ESPECIAL A CANOAS (RS)

Ao responder em nome do governo à carta aberta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e mais uma vez sugerir a certeza da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse ontem em Canoas que a manifestação do tucano é um sinal de "desespero" e da falta de "dignidade" num "momento de derrota", com "resquício do processo ditatorial que impregnou este país durante muito tempo".
Em entrevista na refinaria Alberto Pasqualini, a ministra também disse que FHC "perdeu a cabeça" ao partir para ataques pessoais a Lula: "A gente lamenta muito o nível em que os debates e as acusações pessoais são postos".
Ontem, Dilma foi escalada por Lula para discursar em seu lugar na cerimônia para liberação de recursos do BNDES à refinaria. O presidente, que usou o local para um encontro com o colega uruguaio Tabaré Vázquez, não quis dar entrevista. Segundo Dilma, "o presidente Lula não pretende responder a essa provocação (...) para não baixar o nível da campanha". "Lamentamos que uma pessoa que é responsável por essa maturidade democrática (...) neste momento eleitoral perca a cabeça e parta para ataques pessoais." A ministra reagiu ao fato de FHC chamar Lula de "papai-presidente", numa referência ao programa Bolsa-Família. "Essa qualificação e esse nível de debate é muito característico de pessoas desesperadas em momentos de derrota.
Eu, que já fui muitas vezes derrotada, até porque fui presa [na ditadura], acho que a gente aprende muito quando tem a dignidade diante da derrota."
Ela ironizou FHC ao dizer que o ex-presidente tem "méritos" por admitir os erros que conduziram ao apagão de 2001. "Esse erro não é necessário ser reconhecido. O Brasil inteiro sofreu esse erro. É mérito se você reconhece.
Agora não acho que isso compense certas características da carta que não são muito recomendáveis para um ex-presidente." Sobre a possibilidade de vitória de Lula no primeiro turno, disse: "Eu acho que esse processo, que em alguns momentos se depreende de algumas afirmações que o povo vota mal, é uma lembrança, é uma reminiscência, é um resquício do processo ditatorial que impregnou esse país durante muito tempo. A gente acaba com a ditadura, mas a gente leva tempo para acabar com as conseqüências dela".
O senador Aloizio Mercadante disse em Bauru que FHC está aflito por não ter lugar na campanha: "Eu entendo a angústia do FHC. Ele governou o Brasil por oito anos e nenhum candidato do PSDB quer ele no palanque".


Colaborou BRUNO MESTRINELLI, em colaboração para a Agência Folha

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