São Paulo, sábado, 09 de setembro de 2006

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Pastores prometem empenho para reeleger Lula no 1 turno

DA SUCURSAL DO RIO

De olhos fechados e ao som do sermão entusiasmado de um pastor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu a oração de cerca de mil pastores em templo da Assembléia de Deus, no Rio, na tarde de ontem. Acabara de receber a adesão oficial da Convenção Nacional das Assembléias de Deus do Brasil (Ministério de Madureira), que lhe prometeu empenho e apoio político junto a fiéis na disputa eleitoral.
O senador Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal -que apóia Lula- e candidato ao governo do Rio, também foi ao evento.
"Somos todos crentes, brasileiros e amamos este país", disse o presidente.
O líder do grupo, pastor Manoel Ferreira, pediu empenho a cerca de mil pastores pela candidatura do presidente e a promessa de "somar todos os esforços ainda neste turno" para que Lula "saia vitorioso".
A Assembléia de Deus reúne cerca de 9 milhões de membros no país e a Convenção Nacional tem cerca da metade, segundo Manoel Ferreira. Outra corrente importante é a Convenção Geral, que apóia o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.
Durante o discurso, Lula disse que sua política social "incomoda". "Tem gente achando até que pobre não pode votar, porque sabe que vota em mim".
A atividade política em igrejas é proibida pela legislação eleitoral. A Folha consultou quatro especialistas em Direito Eleitoral sobre o ato de ontem. Três afirmaram que a atividade é irregular.
"A lei eleitoral diz que as igrejas são lugares de uso comum e não permitem atividade política", disse o advogado Luiz Paulo Ferreira. Já o advogado Luiz Paulo Viveiros de Castro considera que ontem não houve abuso porque o evento era para pastores e não para fiéis.
Contatados pela Folha após o ato pró-Lula na Assembléia de Deus, pastores confirmaram que já estão pedindo votos a seus fiéis pela candidatura do presidente à reeleição.
"Temos o cuidado de não misturar. Acabamos o culto e, nos minutos finais, falamos sobre os candidatos. Pedimos pelo Lula, por Marcelo Crivella, pelo bispo Manoel Ferreira e pelo pastor Sabino, candidato lá de Rio das Ostras", contou o pastor José Augusto Rosário Vieira, de Rio das Ostras (a 170 km do Rio).
Para o ex-metalúrgico e admirador antigo de Lula, Manoel Roberto Soares, a igreja vai apoiar o presidente, mas as discussões políticas não acontecerão nos templos. (RAPHAEL GOMIDE)

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