São Paulo, quarta-feira, 18 de setembro de 2002

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Justiça recebe ação contra aliados de Serra

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O procurador da República Luiz Francisco de Souza protocolou ontem na Justiça Federal ação contra três aliados do presidenciável José Serra (PSDB-PMDB), sob a acusação de lesar os cofres do Banco do Brasil em "perdões escandalosos".
Na ação, também assinada pelo procurador Alexandre Camanho, Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro de campanhas de Serra), Gregorio Marin Preciado (ex-sócio do tucano e seu contraparente) e Vladimir Rioli (também ex-sócio do presidenciável) são apontados como os principais responsáveis pelo prejuízo ao BB.
Reportagem da Folha publicada em maio revelou que duas empresas de Preciado, a Gremafer e a Aceto, foram beneficiadas no Banco do Brasil por uma redução de dívida de R$ 73,7 milhões. A decisão, tomada pela diretoria colegiada do banco, contou com voto favorável de Ricardo Sérgio.
No Banespa, a Gremafer também obteve empréstimos quando Rioli ocupava a vice-presidência de operações, cargo que teria obtido graças à influência de Serra, segundo Luiz Francisco.
Contra o próprio Serra, o procurador disse não ter provas de seu envolvimento nas irregularidades. "A verdade é que não tenho nada diretamente contra ele. Apenas indícios de um favorecimento oblíquo. Mas ele poderá virar réu na ação se conseguirmos ampliar esses indícios", disse.
O procurador espera obter provas contra Serra a partir da quebra dos sigilos bancário e fiscal, de 1993 a 2002, de: Ricardo Sérgio, Preciado, Rioli, Gremafer, Aceto, Edson Soares Ferreira (ex-diretor do BB), Ronaldo de Souza (possível procurador de Ricardo Sérgio) e de quatro empresas. A quebra dos sigilos foi pedida na ação.
Luiz Francisco também relacionou algumas doações recebidas pelo comitê eleitoral de Serra em 1994 para reforçar as ligações entre o presidenciável e as pessoas e empresas denunciadas ontem.
O procurador voltou a dizer que não tem a intenção de prejudicar nem de favorecer candidatos. "E se esperasse o fim da eleição para denunciar, não estaria sendo parcial?", questionou Luiz Francisco
Ao todo, foram denunciadas 18 pessoas físicas e jurídicas: Ricardo Sérgio de Oliveira, Gregorio Marin Preciado, Vladimir Antonio Rioli, Gremafer Comercial e Importadora, Aceto Vidros e Cristais, Paulo César Ximenes, Cláudio Ness Mauch, José Pinto dos Santos Neto, Edson Soares Ferreira, Luiz Fernando Bonfim, Rivoli Participações, La Fonte Telecom, Planefin, Consultatum, Antares Participações, Antar Ventures Invesments, 141 Participações e Ronaldo de Souza.
Ferreira afirmou ontem "que não houve decisão individual". Ximenes disse que o procurador terá uma resposta judicial. "Vamos nos defender na Justiça com a tranquilidade do dever cumprido." Afirmou que as decisões tomadas pelos dirigentes do BB na época tiveram o objetivo de assegurar os direitos da instituição. Rioli disse ontem que não conhecia a ação e por isso não se manifestaria sobre o assunto.
Procurados pela Folha, Gregorio Marin Preciado, Ricardo Sérgio e os demais citados não foram encontrados ontem à noite.



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