São Paulo, domingo, 19 de setembro de 2004

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DIPLOMACIA

Presidente fala em Nova York sobre a taxação de operações financeiras e venda de armas para combater a pobreza

Lula expõe proposta "pragmática" na ONU

FERNANDO CANZIAN
ENVIADO ESPECIAL A NOVA YORK

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai apresentar proposta que considera mais "pragmática" para combater a pobreza em reunião com 56 líderes mundiais amanhã, na sede das Nações Unidas, em Nova York.
A ambição do governo brasileiro é liderar a pressão para que os países mais ricos aceitem a taxação sobre a venda de armas pesadas e sobre movimentações financeiras em paraísos fiscais.
O objetivo é financiar um déficit de US$ 50 bilhões necessários para que o mundo possa atingir as chamadas Metas do Milênio para redução da pobreza até 2015.
As duas principais propostas brasileiras são vistas com ressalvas, principalmente pelos EUA e França, ambos produtores de armamentos. Uma série de outros países também considera irrealista a taxação de capitais.
Na reunião, que deve durar três horas na tarde de amanhã, o Reino Unido deverá apresentar uma proposta alternativa, de antecipação dos desembolsos previstos pelos países ricos e programados para acontecer até 2015.
Apesar da resistência dos países mais ricos, Lula pretende se alinhar a outras grandes nações em desenvolvimento como o Brasil para pressionar politicamente os mais desenvolvidos.
A avaliação do governo brasileiro é a de que os recursos para atingir as Metas do Milênio não podem depender exclusivamente dos orçamentos dos países, sujeitos a contrações em momentos de crise. Daí a necessidade de se buscar fontes permanentes.
Lula também tem a ambição política de recolocar a questão da pobreza de volta ao centro das discussões internacionais, hoje voltadas quase que exclusivamente à segurança e ao combate ao terrorismo.
A taxação do comércio internacional de armas envolveria apenas armamentos pesados, cujo comércio é registrado pela ONU e movimenta a cifra de cerca de US$ 900 bilhões por ano.
No caso da taxação financeira, a proposta seria criar um imposto, semelhante à CPMF brasileira, de 0,01% sobre transações cambiais.
Além de participar da reunião, Lula fará na terça-feira o discurso de abertura da 59 Assembléia Geral das Nações Unidas. No mesmo dia, terá um encontro fechado com os líderes de Japão, Índia e Alemanha. Assim como o Brasil, os três países almejam obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
A diplomacia brasileira também está tentando encaixar uma série de pedidos de reunião de líderes africanos, asiáticos e latino-americanos nos dois dias em que Lula vai estar em Nova York.
O presidente volta ao Brasil na terça à noite, mas seu chanceler, Celso Amorim, permanece na cidade até sexta. Durante três dias, participará de reuniões com representantes de países do Grupo do Rio, da União Européia, de nações árabes e da China.


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